InícioCríticasCrítica | Katy Perry dá adeus à era '143' com o envolvente...

Crítica | Katy Perry dá adeus à era ‘143’ com o envolvente pop-rock de “bandaids”


2025 tem sido um ano um tanto quanto turbulento para Katy Perry. Afinal, seu mais recente álbum de estúdio, 143 (bem como o deluxe intitulado 1432), tornou-se um fracasso comercial e crítico, sendo escrachado nas redes sociais pelos internautas e massacrado pelos especialistas mundo afora – que comentaram, principalmente, pela atmosfera datada e pela falta de originalidade.

Pouco depois de ter entrado em uma turnê que também tem atraído comentários negativos em virtude da produção e da experiência do espetáculo, Perry pouco a pouco nos mostrou que já estava pronta para entrar em sua próxima era. E, em pouco menos de um ano desde o lançamento de 143, a cantora e compositora fez algo inédito ao anunciar uma nova música em meio a um cronograma de espetáculos que se estende até dezembro.

Intitulada “bandaids”, o single – que, por enquanto, não faz parte de nenhum álbum oficialmente anunciado – foi lançado hoje, 6 de novembro, com a promessa de iniciar mais um capítulo em sua expressiva carreira e deixar de lado as polêmicas que vinham lhe acompanhado (como a retomada de colaboração com Dr. Luke, acusado de assédio sexual). Aqui, Perry se esquiva de controvérsias ao aliar-se com nomes como Justin TranterSean CookRuss Chell para um retorno a seus primórdios no mundo da música em um sólido e envolvente pop-rock.



Katy sempre teve um apreço pelo gênero, tendo-o explorado em produções como ‘One of the Boys’‘Teenage Dream’. E, após apoiar-se no pop e no bubblegum pop por um bom tempo, a performer resolveu revisitar suas antigas iterações e remodelá-las com um claro amadurecimento cujas ambiguidades de ramificam tanto para sua vida pessoal quanto para a profissional. De um lado, as conhecidas notas da guitarra permeiam versos de cura e de libertação de um obstáculo enfrentado na carreira, abrindo espaço para uma cândida história de amor que já acabou – e que nutre de reminiscências de seu casamento com o astro Orlando Bloom.

A progressão linear é utilizada com esmero e, diferente das cansativas fórmulas de suas músicas anteriores, não se exaure em ousadias sem sentido e permanece em um restrito cosmos que nos envolve do começo ao fim. Pulsando nos momentos certos e alcançando ápices que garantem ritmo e dinamismo à canção, o arranjo instrumental cultiva espaço o suficiente para que Perry reflita sobre os momentos bons e ruins que são comuns a qualquer tipo de relacionamento – como em “pelo lado bom, tivemos bons momentos”, que precede uma máxima melancólica, mas necessária: “éramos perfeitos, até não sermos mais”.

A artista também encontra sucesso ao escalar o premiado diretor Christian Breslauer para uma dramédia gore protagonizada pela própria artista, mergulhando em referências a clássicos do terror como ‘Premonição’‘Casamento Sangrento’ à medida que mantém-se fiel à sua persona despojada. E o conflito entre o enredo que se apresenta aos ouvintes e que se desenrola no videoclipe é mais um indicativo de que, ainda que não tenha chegado lá, Katy está no caminho certo para recuperar sua criatividade.

Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.
MATÉRIAS
CRÍTICAS

NOTÍCIAS