Crítica | La Casa de Papel – 3ª Temporada

Crítica | La Casa de Papel – 3ª Temporada

Nota:


A nova temporada de La Casa de Papel chegou à Netflix no dia 19 de julho sob olhares de desconfiança. Após o fim redondo da primeira temporada – que foi dividida em duas partes -, muito se questionava sobre a necessidade de dar continuidade à história, afinal o plano fora concluído e todos os participantes do crime, que ficaram vivos, estavam ricos.

Para contornar isso, o roteiro usou a sempre instável Tóquio e seu relacionamento com Rio como ponto de partida do novo arco. Com vidas relativamente tranquilas e com muito dinheiro, talvez seja estranho e forçado os demais membros do grupo participarem do novo roubo. Porém, em um diálogo ao longo dos episódios, foi apresentado o conceito de que tudo aquilo não era, apenas, pelo resgate de Rio e sim pela vontade de sentir uma adrenalina, algo que foi sentido pelos personagens em todos os momentos em que arriscaram, mesmo antes da história que acompanhamos na primeira temporada.

La Casa de Papel em alguns momentos exige uma forte suspensão de descrença por parte dos espectadores. Uma delas é o fato de parte dos criminosos mais procurados e populares do mundo andar de cara limpa frente a civis e autoridades e não serem reconhecidos. O plano poderia ter ido por água abaixo logo em seus primeiros minutos caso isso fosse levado em conta.

Dito isso, é bom pontuar algo. Se La Casa de Papel não tem um senso de realidade muito aprimorado, por outro lado, o seu nível de entretenimento é altíssimo. A cada cena em que parece que o grupo vai ser pego ou no mínimo ficar em uma situação crítica, o nervosismo de quem assiste é evidente. Palmas não apenas a quem dirige os episódios, como também ao elenco, de grande qualidade.

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Entre os personagens de destaque, Nairóbi é o grande nome. Seu crescimento na série desde o início até aqui é incrível e não é difícil imaginar porque ela se tornou uma das mais queridas da série por parte dos fãs. Quem também brilhou foi a inspetora Sierra, interpretada por Najwa Nimri em um grande trabalho. Com uma personalidade forte e de certo modo até psicopata, a personagem pôs medo em muitos e se colocou em uma posição intelectual em um nível alto a ponto de conseguir rivalizar com o Professor.

Por falar nele, as fragilidades do grande cérebro do roubo foram mais evidenciadas nesta temporada, não apenas pela eficiência de Sierra, como também por partir de uma premissa de que o plano original do novo roubo não ter sido dele. Aliás, quem o montou foi Berlim. Mesmo morto, o personagem fez diversas participações por meio de flashbacks.

Embora Berlim tenha um caráter duvidoso, é inegável que ele é carismático e seu virtual retorno foi uma boa ideia. Indo em direção oposta, Palermo, o “novo Berlim”, não conseguiu conquistar os fãs de um modo geral.
O roteiro teve dificuldades para encaixar Raquel na trama de modo orgânico e proveitoso, o que fez basicamente com que ela fosse apenas uma ferramenta a ser usada para atingir e atrasar o Professor. Sua participação não teve muito destaque, embora ela tenha sido uma peça importante nos momentos finais, mas não pela personagem em si e sim de como isso iria afetar Sergio.

A temporada contou com oito episódios, o que foi suficiente. Desta forma, “barrigas” foram evitadas e nos é mostrado apenas o que interessa, sem tramas paralelas desnecessárias. No fim, um gancho que deixa evidente a continuidade da trama e a produção de, no mínimo, uma nova temporada.

O sucesso mundial de La Casa de Papel merece palmas principalmente por não se tratar de uma obra hollywoodiana. Não é comum ver produções espanholas atingir um número tão alto de fãs, nas mais diversas regiões possíveis, com direito até a um funk baseado em Bella Ciao, a trilha mais marcante da série.

Mesmo com alguns movimentos forçados de roteiro, a nova temporada de La Casa de Papel é boa e deu uma nova vida à série. De um modo geral, o saldo é positivo.



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