Crítica | Magnatas do Crime – Filme de Máfia de Guy Ritchie tem elenco GRANDIOSO



Guy Ritchie é um diretor de cinema conhecido não só por ser o ex-marido de Madonna, mas também por produzir filmes que contam uma mirabolante história de máfia, com muitos personagens, um toque de humor e grandes reviravoltas. Ele apresentou isso nos hilários ‘Snatch: Porcos e Diamantes’, ‘Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes’ e ‘O Agente da U.N.C.L.E’ e, mais recentemente, com uma pegada mais pop juvenil nas adaptações fílmicas de ‘Sherlock Holmes’ e ‘Rei Arthur: A Lenda da Espada’. Após esse flerte com um estilo MTV de se fazer filmes, Guy Ritchie volta agora às suas origens com ‘Magnatas do Crime, que é também um dos primeiros filmes inéditos nos cinemas brasileiros a ser exibido após a reabertura de algumas salas de exibição no país.

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Michael Pearson (Matthew McConaughey) é o bam-bam-bam da máfia. Arrumadinho, cheiroso e super bem-educado, ele é mais que um mafioso: é um gentlemen, que, por acaso, também é um dos maiores traficantes de maconha do mundo. Michael é antenado e sabe que em poucos anos a maconha deverá ser legalizada no mundo inteiro, e, consequentemente, ele perderá seu negócio, por isso está pensando em se aposentar e vender tudo para Matthew (Jeremy Strong). Só que no meio disso Dry Eye (Henry Golding) e os rapazes do Treinador (Colin Farrell) também acabam envolvidos e, pra piorar, tudo isso foi registrado e relatado por Fletcher (Hugh Grant), um jornalista que procura Ray (Charlie Hunnam), assistente de Michael Pearson, para contar tudo que sabe e chantageá-los.

Escrito por Marn Davies e Ivan Atkinson, o roteiro do próprio Guy Ritchie acompanha o mesmo ritmo dos sucessos supracitados. Tudo começa quando Fletcher procura Ray para contar o que sabe, de modo que Fletcher se torna o narrador da história, que passa a ser contata e montada através de flashbacks de seu testemunho. De vez em quando a narração é interrompida e volta para o presente, com Ray questionando a capacidade imaginativa de Fletcher, que trata tudo o que viu como se fosse um roteiro que ele tivesse escrito. Entra aí o tom irônico de Guy Ritchie, que, através de seu personagem, faz uso da metalinguagem para tentar vender uma possível continuação de seu próprio longa. Vai que cola, né?

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Uma das assinaturas dos filmes de Guy Ritchie é a edição ágil, acelerada, acompanhada de uma montagem perfeita que dá todo um dinamismo ao filme. Sem esses dois elementos, que conferem até mesmo um ar pop juvenil a todos os assuntos abordados pelo diretor, os filmes de máfia de Guy Ritchie não seriam tão atraentes – e, no caso de ‘Magnatas do Crime’, realmente faz toda a diferença. Salta aos olhos a verborragia dos diálogos (outra assinatura do diretor), que lança mão de uma variedade vocabular impressionante, falada por um elenco competente capaz de pronunciar longos textos de perder o fôlego com sutis nuances de emoções – apenas o suficiente para o espectador perceber o que está rolando na tela. Destacam-se aqui Hugh Grant, no papel de um afetado jornalista sem índole que fica dando em cima do personagem de Charlie Hunnam, que está quase irreconhecível de óculos, barba e extremamente calmo o tempo todo.

Magnatas do Crime’ é um filme bem estilo Guy Ritchie, com muita firula, uma história que se desconstrói o tempo todo e cheia de estilo. Diverte, entretém e merece ser visto na tela grande, quando for seguro assisti-lo nos cinemas.

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Janda Montenegro
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.

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Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.