Crítica | ‘Máquina de Guerra’ – Filme de ação da NETFLIX escorrega na comodidade da invencibilidade


Explorando as infinidades da ficção científica através da culpa e do luto, juntamente com um marketing gigantesco de uma das principais forças especiais norte-americana, o explosivo longa-metragem Máquina de Guerra, disponível nas prateleiras virtuais da Netflix, apresenta um discurso ambíguo que vai do caos emocional à comodidade da invencibilidade, distanciando-se de qualquer realidade.

Dirigido pelo cineasta australiano Patrick Hughes – diretor de Mercenários 3 e outros filmes de ação –, o projeto se veste como uma obra que foca na luta pela sobrevivência, na qual os heróis aparecem e tem seu desenvolvimento construído em cima de conflitos emocionais. Nessa jornada, com seus exageros e muitos pontos mal amarrados, mesmo com uma boa direção, a iminência da previsibilidade se torna uma constante desde muito cedo, e o plot twist que deveria causar impacto acaba apenas reforçando essa certeza.

Os heróis que fazem o impossível: Como os filmes de ação se aproximam de realidades

Anos após um trauma que marcou sua vida – a perda do irmão (Jai Courtney) em uma emboscada durante uma guerra – 81 (Alan Ritchson) vai atrás de um sonho que dividia com o irmão: juntar-se à conhecida infantaria de operações especiais dos EUA, os Rangers. Depois de uma intensa seleção, na prova final para admissão, o protagonista acaba envolvido com a realidade quando um robô extraterrestre com inteligência artificial invade a Terra.

Nesse pou-pourri cheio de tentativas de causas e efeitos, ações extraterrestres e as deixas dos deslizes morais humanos, a narrativa mete o pé no acelerador em busca do brilho das cenas de ação, se esquecendo de compor com eficiência todas as camadas que se abrem do seu protagonista, longe de qualquer carisma. A marca traumática deixada pelo tempo, o ir à fundo nos horrores de guerra e as reflexões em suas ações de liderança acabam ganhando ares convenientes, moldando um herói invencível – que aqui não dribla o senso crítico do público mais atento.

10 filmes de ação com EMOÇÕES LÁ NO ALTO!

Mas a principal questão que envolve essa obra é a seguinte: Marketing das ‘forças invencíveis’ da maior potência do mundo ou uma história de superação? A trama se desenvolve em uma linha de total ação, com o drama do luto envolvido na camada central do personagem principal. No entanto, esse é o ponto que o discurso do roteiro cai na ambiguidade, tornando-se confuso, deixando sob os holofotes os traumas de uma guerra e usando a mesma para promover ações bélicas.

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Raphael Camacho
Raphael Camachohttps://guiadocinefilo.blogspot.com.br
Raphael Camacho é um profissional com mais de 20 anos de experiência no mercado cinematográfico. Ao longo de sua trajetória, atuou como programador de salas de cinema, além de ter trabalhado nas áreas de distribuição e marketing de filmes. Paralelamente à sua atuação na indústria, Raphael sempre manteve sua paixão pela escrita, contribuindo com o site Cinepop, onde se consolidou como um dos colaboradores mais antigos e respeitados deste que é um dos portais de cinema mais queridos do Brasil.