Crítica | Medo de Amar – Filme do Reino Unido tem o sabor agridoce dos últimos dias de escola



Jovens e crianças do mundo inteiro todos os anos sonham em terminar o ano letivo e entrar do aguardado período de férias. Esse desejo se intensifica ainda mais quando os alunos estão no último ano do Ensino Médio, pois sabem que é o último ano juntos na escola, que em seguida se tornarão adultos e livres das obrigatoriedades estudantis e, portanto, com um universo de possibilidades pela frente. É neste momento que conhecemos os jovens protagonistas de ‘Medo de Amar’, estreia da semana no Cinema Virtual.

Kai (Joshua Glenister) é um jovem introvertido, que gosta de escrever e tem um crush pela sua vizinha Grace (Kim Spearman), mas não consegue se aproximar dela porque ela é uma das meninas mais bonitas da escola e tem um namorado malvado. Junto com seus melhores amigos, Megsy (Jack Gouldbourne) e Sammy (Charlie Frances), os três passam os dias bebendo pelos telhados de uma pequeníssima cidade no interiorzão do Reino Unido, sonhando com uma vida em outro lugar, com belas garotas e em como tornar esses últimos dias juntos épicos, que ficarão para a história da cidade. Dentre festas, provas finais e dramas pessoais, os três ainda têm que aguentar o bullying de Kenner (Alexander Lincoln) neste verão que vai marcar para sempre o amadurecimento deles.

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Com duas horas e cinco minutos de duração, ‘Medo de Amar’ fisga o espectador desde o início com uma história simples, porém com a qual é fácil se relacionar. Embora esteja falando de um universo bastante restrito do interior do Reino Unido, a história criada por Matthew Brawley aborda os dramas, as inseguranças e as expectativas comuns aos jovens de uma maneira bastante genuína, centrada no protagonista Kai que funciona como um narrador espectador da própria vida (ele é meio esquisito até, meio stalker, meio voyeur). O roteiro de Guy Davies acrescenta um bom equilíbrio entre a comédia, o drama e até certo suspense ao cotidiano de jovens de classe média que poderiam ser de qualquer cidade do mundo.

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Embora tenha uma história bem lugar comum, as ótimas atuações do trio de protagonista nos colocam à vontade com a trama – mérito da sintonia entre os atores e a boa condução de Guy Davies na direção. As brincadeiras, os comentários bobos, as zoações são tão leves e descontraídas, que nos sentimos entre amigos. Até mesmo as cenas mais dramáticas conseguem ser verossímeis, trazendo uma boa suspensão da descrença. Ainda assim, aqui e ali o roteiro dá umas facilitadas no enredo, para criar situações que possam conduzir de maneira mais rápida ao desfecho (exemplo disso é a aparição de nova personagem no arco final, só para gerar desvio). Também a edição por vezes insere uns takes esquisitos, que geram confusão por aparentemente não possuírem ligação com o que veio e o que está por vir na história.

Medo de Amar’, ainda que seu título faça sentido ao cerne do seu enredo, é um filme muito mais divertido que dramático, e surpreende com o frescor jovial alcançado na trama. Uma boa surpresa, disponível no Cinema Virtual.

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Janda Montenegro
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.

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Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.