Crítica | ‘Memórias Com Vista para o Mar’ – Uma linda aquarela de imagens e memórias [Festival Cinemato 2026]

Selecionado para o Festival do Rio 2025 e desembarcando em Cuiabá para o Festival Cinemato 2026, o curta-metragem Memórias Com Vista para o Mar é uma poesia declamada que invade nossos corações através de um personagem e suas memórias. Um filme simples, que conversa sobre o antes e o depois, mas com um poder de emocionar que chega através de uma mistura de artes e pela atuação hipnotizante de José Araújo, que, aos 81 anos, interpreta seu primeiro protagonista no cinema.

Um portão se abrindo. Uma cadeira de rodas estacionada. Um homem reencontrando suas memórias em um banco na mais bela das cidades do mundo. Com as peças ainda embaralhadas, conhecemos um personagem do qual não conseguiríamos tirar os olhos ao longo dos curtos minutos seguintes: um artista se agarrando nos lapsos de emoção entre as marcas do passado e o presente.

Seu Félix (José Araújo) é um pintor que vive em um lar para idosos e que, certo dia, consegue uma fuga para a praia, onde passa a lembrar sobre a vida próximo a uma fonte de eterna inspiração: o mar. As musas inspiradoras, a mãe, a saudade, o eu de outrora, o amor e as turbulências da relação entre pai e filho viram peças importantes de um mosaico de lembranças que vai se formando chegando em reflexões, nas quais encontra o sentido no agora.

O filme propõe um jogo com o espectador. Nele, o alcance dos nossos pensamentos se torna uma carta trunfo, camuflada por uma aquarela de sentimentos que são impulsionada à emoção pelo azul e seus significados. Sensorial em alguns momentos, tendo o dedilhar de um violão iniciando a construção de uma trilha que culmina na belíssima canção ‘O Quão Lindo Pode Ser’, de Angélica de Paula, o projeto nos leva a lembrar sobre nossas próprias histórias familiares.

Sem perder o fôlego e insistindo em fazer com que as mensagens cheguem de forma profunda a quem tiver disposto a se entregar a essa história, Memórias Com Vista para o Mar, dirigido por Marton Olympio, atravessa o tempo num curto retrato intimista e ganha nossa total atenção, deixando marcas de sua poesia habitar em um cantinho quentinho de nossos corações. Lindo filme.

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Raphael Camacho
Raphael Camachohttps://guiadocinefilo.blogspot.com.br
Raphael Camacho é um profissional com mais de 20 anos de experiência no mercado cinematográfico. Ao longo de sua trajetória, atuou como programador de salas de cinema, além de ter trabalhado nas áreas de distribuição e marketing de filmes. Paralelamente à sua atuação na indústria, Raphael sempre manteve sua paixão pela escrita, contribuindo com o site Cinepop, onde se consolidou como um dos colaboradores mais antigos e respeitados deste que é um dos portais de cinema mais queridos do Brasil.