Crítica | ‘Minions & Monstros’ reconstrói Hollywood em uma divertida, ainda que falha aventura

A franquia ‘Meu Malvado Favorito’ é uma das mais bem-sucedidas da história do cinema e, tendo início em 2010 pelas mãos de Chris Renaud e Pierre Coffin, a saga original já nos entregou quatro capítulos que, apesar de terem encantado o público, se tornaram gradativamente mais criticadas pelos especialistas internacionais. Não obstante essa divisiva recepção, os adoráveis asseclas do vilanesco Gru, conhecido como Minions, se sagraram um marco na cultura pop mundial e ganharam seu próprio spin-off, que chegou aos cinemas em 2015 e que, agora, caminha para um terceiro capítulo intitulado Minions & Monstros’, cuja estreia está agendada para o próximo dia 2 de julho.

Nessa mais nova aventura, os adorados Minions tomam conta de Hollywood após passarem séculos à procura do chefe perfeito – um vilão com ganas de poder e de vingança a que poderiam servir para todo o sempre. Todavia, após vários percalços, o grupo se vê na “cidade dos sonhos” em plena década de 1920, marcada pelo avanço do cinema e pela imortalização de diversos longas-metragens e astros da sétima arte. Depois de se tornarem famosos com vários títulos de sucesso crítico e comercial, os Minions sofrem com a chegada dos filmes falados (ou talkies, como ficaram conhecidos à época) e perdem status e prestígio, compelindo a si próprios a regressar à interminável busca por um vilão.

É aí que os verdadeiros protagonistas da história entram em ação: James e Henry sempre se viram como “forasteiros” em meio aos outros e, contrariando todas as expectativas, resolvem dar continuidade a um sonho de muito tempo – afinal, desde que chegou a Hollywood, James desejou ver suas histórias imaginativas ganhando uma versão para as telonas. Para tanto, Henry e o proativo Ed o ajudam a tirar uma narrativa promissora do papel, mas se veem em um turbilhão de problemas quando trazem monstros gigantescos e poderosos ao mundo real, colocando o planeta inteiro em perigo iminente.

Mais uma vez, Coffin senta-se à cadeira de direção. O veterano diretor, que comandou os três primeiros capítulos da saga original e a primeira entrada focada nas atrapalhadas criaturinhas amarelas, mantém-se fiel à identidade propositalmente exagerada explorada em incursões anteriores, não poupando esforços para criar um nível de absurdez que cresce em expoente cena a cena. Não só isso, mas o cineasta aproveita o escopo que constrói para prestar diversas homenagens à história do cinema, fazendo menções diretas a produções como ‘O Dia em que a Terra Parou’ e ‘Tempos Modernos’, além de uma espécie de sátira dos estúdios Warner Bros.

O problema é que, ao passo que brinca com inúmeras cores, estilos e uma comicidade típica da personalidade irrefreável e irreverente dos Minions, Coffin acaba não dizendo muita coisa com um roteiro que, por mais que não se estende além de breves 90 minutos, traz eventos e subtramas em demasia às telonas – incluindo a aparição de um robô alienígena chamado Dort (Jesse Eisenberg), que se apaixona pela sufragista Debbie (Zoey Deutch), um plano maligno de um pequeno monstro lovecraftiano chamado Goomi (Trey Parker) e uma corrida contra o tempo para salvar o mundo.

Apesar dos claros problemas, boa parte deles destinada à história assinada por Coffin e Brian Lynch, é impossível não se divertir com as trapalhadas dos Minions, ainda mais quando toda a estrutura do projeto é metarreferencial ao extremo e não tem qualquer pudor em misturar acontecimentos históricos à insana fantasia em que os protagonistas se encontram – e, em dado momento, pegamos referências até mesmo à animação ‘Monstros vs. Alienígenas’ (um dos longas esquecidos da DreamWorks), principalmente quando nos aproximamos do ato de encerramento. É claro que não podemos nos esquecer de que toda a saga funciona como um presente para os pequenos e, conforme saímos do cinema, percebemos que o filme entregou aquilo que prometia – e sem delongas.

Minions & Monstros’ não foge muito da curva explosiva e vibrante da franquia ‘Meu Malvado Favorito’ e nem sequer tem esse objetivo, apostando fichas no carisma de personagens que ganharam o coração de público desde que chegaram às telonas pela primeira vez para recontar a história da sétima arte da forma mais “despudorada” possível. Ainda que se renda a um cansaço contínuo e muito familiar dos outros capítulos, o resultado é acima da média para aqueles que procuram apenas se divertir.

Minions & Monstros’ estreia nos cinemas nacionais em 2 de julho.

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Thiago Nolla
Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.