Crítica | Missão Refúgio – Jason Statham Prova que os Brutos Têm Coração em Novo Filme de Ação



Os astros dos filmes de ação, com o tempo, vêm expandido suas narrativas para muito além de socos e pontapés. Após o fervor juvenil, com o passar do tempo as histórias nos filmes estrelados por grandes nomes do cine-pancadaria começam a buscar mais humanização nesses personagens, mostrando ao público que, por baixo de tantos músculos, bate um coração. Aconteceu com grandes nomes como Arnold Schwarzenegger, Liam Neeson e Daniel Craig, e está acontecendo agora com o ator britânico Jason Statham, que volta aos cinemas essa semana estrelando o longa ‘Missão Refúgio’.

Em uma ilha nos confins da Escócia, um homem misterioso vive há anos em um farol abandonado junto a seu cachorro. Semanalmente ele recebe provisões de uma menina, que deixa tudo à sua porta. Porém, certa vez, ela e o tio são pegos desprevenidos em uma tempestade, que acaba em tragédia. Sem ter pra onde ir, Jessie (Bodhi Rea Breathnach, de ‘Hamnet’) acaba se hospedando na casa do homem misterioso, a quem mais tarde descobre se chamar Mason (Jason Statham). Mais que isso: Jessie descobre que homens malvados do governo estão atrás de Mason, e ela acaba indo numa fuga desesperada pela cidade para tentar salvar a si mesma… e também ao homem misterioso que a acolhera em sua casa.

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Para quem curte o cine-brucutu, ‘Missão Refúgio’ oferece mais do que pancadaria: em uma hora e quarenta e sete o filme demonstra que para além de músculos e socos, um bombadão também é capaz de nutrir afeto, mesmo que por uma pessoa desconhecida e mesmo tendo um passado obscuro.

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Assim é o roteiro de Ward Parry, que começa deixando tudo muito nebuloso numa ilha cheia de neblina em um recanto qualquer do planeta, onde os personagens não têm nome até que a violência inesperada bate à porta. A partir daí, com a fuga em andamento, as relações vão sendo cativadas: a jovem, que sempre levava suprimentos, acredita que pode amolecer o coração do herói; já ele, sobrevivente de guerra, ensina à adolescente formas e meios de se proteger, afinal, o mundo não é para os fracos. Nessa dinâmica, temos o feliz encontro de dois bons atores que conseguem entregar a medida certa de emoções aos seus personagens, mesmo que ambos não tenha tanta profundidade e vez ou outra disparem uns diálogos mega-clichês. Mas também disso vive o cine-pancadaria.

O diretor Ric Roman Waugh definitivamente valoriza a paisagem e as locações encontrando boas tomadas de modo a tornar o seu ‘Missão Refúgio’ um filme de ação bastante particular, com ares de suspense dramático (por causa da ambientação), uso de drones que favorecem o plano aberto em prol da pequenez humana e as cores naturais (reforçadas na colorização, claro) em contraste nos dois núcleos em que o enredo se desenrola – a cidade e o campo.

Com uma dupla protagonista improvável (uma adolescente e um brucutu), ‘Missão Refúgio’ surpreende por desenvolver uma trama que mistura elementos da paranoia contemporânea (a vigilância pública que armazena dados pessoais) com o cerne clássico de filmes de ação (o heroi ex-combatente que foi traído pela pátria). É pipocão com qualidade.

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Janda Montenegro
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.

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Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.