Crítica | ‘Moneyboys’ – O sacrifício de um nômade da própria felicidade

Os que sobram são aqueles que ninguém quer. A frieza sobre as escolhas, a estática solidão, o incisivo tom melancólico, a noção do que é o amor e seu sacrifício constante, são elementos importantes no primeiro trabalho na direção de um longa-metragem do cineasta chinês C.B. Yi, Moneyboys. Exibido no Festival de Cannes, o projeto explora também as mudanças de vida, a partir de uma China Rural para uma terra de oportunidades carregando em seus conflitos as dificuldades de entender a que preço são feitas escolhas que impactam na sua visão do mundo.

Na trama, conhecemos Fei (Kai Ko), um pouco no seu início na sua trajetória como garoto de programa que busca um pé de meia para ajudar a família até tempos mais tarde onde se vê preso em dilemas e conflitos. Os novos olhares sobre sua relação com a família, a aproximação com um jovem que reflete muito do que ele era, e a redescoberta de um grande amor do passado transformam a trajetória do protagonista que cada vez mais se afasta de qualquer deslumbre sobre o que é realmente ser feliz.

O olhar atento de C.B. Yi se mostra uma peça importante nesse trabalho que escancara as curvas da vida aos olhos de um alguém sem referência, que desbravou o mundo em busca de um objetivo que era o de fazer sua família ter uma melhor condição. Os conflitos que contornam a trajetória do personagem começam exatamente desse ponto, como sua família enxerga a forma como ele ganha esse dinheiro. Em uma estrada dolorosa rumo sua identidade familiar, tentativas e mais tentativas de se aproximar dos laços que se desfizeram viram frustrações que desembocam em uma certa paralisia do almejar dias melhores. O filme caminha pela dor através de imagens que impactam a experiência.

Sem esquecer de apresentar o fator importante do embate do rural e o urbano de uma China com vários pontos de vistas, o desenvolvimento do personagem se encaixa também em paralelos universais, o fator importante do relacionamento entre as pessoas onde gera muitas reflexões. A culpa, outro elemento importante e escancarado em tela, logo chega nos traumas de um passado nunca esquecido que chega acoplado num grande amor adormecido. A narrativa se mantém constante no seu tom melancólico sem perder o ritmo.

Ao longo de duas horas de projeção, Moneyboys, exibido também na última edição do Festival do Rio, tem o mérito de fazer perguntas e logo jogar essas questões para reflexões do espectador, através de um introspectivo personagem, que aos olhos dos outros entra em uma espiral de dúvidas sobre outros caminhos que poderia seguir, até mesmo conselhos que pode dar, quase um nômade da própria felicidade, que busca seu caminho para dias melhores através de uma tempestade de conflitos. Belíssimo primeiro trabalho de C.B. Yi.

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