Crítica Netflix | A Escola do Bem e do Mal: Fantasia de Paul Feig é cheia de clichês cafonas, mas pode agradar os fãs de contos de fadas



Do clássico “beijo do amor verdadeiro” ao dualismo moral absoluto, A Escola do Bem e do Mal é um genuíno reciclado de clichês de contos de fadas. Como uma colcha de retalhos, o novo original da Netflix é um emaranhado de recortes de algumas das mais clássicas histórias dos Irmãos Grimm, passando pelas infindáveis releituras desenvolvidas por Walt Disney e a Disney Animation entre as décadas de 40 e 70. Adaptado a partir da obra homônima de Soman Chainani, a fantasia de Paul Feig é uma mistura entre uma montagem performática e uma narrativa pouco inventiva, que reproduz frases de efeito batidas e já replicadas dezenas de vezes em tantos outros longas muito melhores.

Mas o diretor e corroteirista tenta imprimir sua digital na produção, brincando com uma estética colorida e muitas vezes repleta de tons pastéis, à medida em que abusa dos efeitos visuais em todas as cenas possíveis. Mas nem esse aglomerado de informações, disperso em figurinos flamboyant e penteados exagerados e extravagantes, consegue nos distrair do fato de que A Escola do Bem e do Mal é de fato exaustivo – sendo demais até para os padrões de Feig. Com uma trama prolixa e que muitas vezes caminha em círculos, o filme possui uma enorme barriga em seu segundo ato, arrastando o ritmo e repetindo a mesma premissa inicial logo apresentada em seus primeiros minutos.

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Com uma história que reúne todo tipo de maneirismo, lição de moral e estereótipo de contos de fadas, o original Netflix não funciona bem como uma homenagem ao gênero de fantasia. Tentando se apoiar na proposta da metalinguagem, a produção se confunde em suas repetições formulaicas – achando que elas são suficientes para compor o roteiro -, perdendo nossa atenção em uma hora de filme, ao final de seu primeiro ato. Mas ainda que A Escola do Bem e do Mal não valha duas horas e meia do seu tempo, existe uma inegável verdade de que Feig pode sim encontrar seu nicho ali na grade de programação da Netflix.

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Dinâmico, cheio de cenas teatrais de batalhas um tanto desnecessárias e esteticamente atraente aos olhos, a fantasia pode encantar o público mais novo, ainda que seu elenco formado por Charlize Theron, Kerry Washington e Laurence Fishburne tenha sido escolhido com o alvo na geração millennial. Não exigindo nada da audiência além de muita paciência para quase duas horas e meia de filme, o longa pode despertar a atenção da geração Z, se tornando uma experiência divertida sobre príncipes encantados, briguinhas de ego adolescente e aventuras mirabolantes.

Como uma esquete inacabada e exagerada da amada franquia de Harry Potter, A Escola do Bem e do Mal facilmente se identificará com as audiências mais jovens, atraídas pelo excesso de informação e pela insanidade de subtramas jogadas na tela. Mas se ao menos Feig e David Magee tivessem deixado a trama seguir seu fluxo natural com leveza e mais calma, talvez a fábula da Netflix fosse capaz de furar aquela mesma bolha que J.K. Rowling e Potter conseguiram nos idos dos anos 2000, com a estreia do fascinante A Pedra Filosofal nos cinemas.

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