Discussões relacionadas ao sistema prisional são antigas e já renderam produções excelentes dos mais diversos gêneros, do brasileiro Carandiru ao norte-americano Laranja Mecânica, passando pelo senegalês Noite de Reis. E entre metáforas sobre comunidade e análises profundas a respeito de diversos modelos carcerários e métodos nada ortodoxos de correção de caráter, há sempre um debate relacionado aos limites quanto ao abuso de autoridade bem como à rejeição dos direitos básicos de um detento.


Explorando a linha tênue que separa a ética da imoralidade, esses e tantos outros longas tentam confrontar a audiência, jogando nela a responsabilidade de uma resposta sobre esse assunto. Spiderhead tenta a mesma proposta, sob uma ótica mais sci-fi. Mas nem toda sua boa intenção abafa o fato de que ao final de suas quase duas horas, a jornada ainda assim foi tão inútil quanto as tentativas do seu vilão.

Aqui Chris Hemsworth dá vida a um genial (e genioso!) empresário, dono de uma indústria farmacêutica poderosa. Criando uma espécie de cadeia laboratorial, ele realiza testes em detentos voluntários – que são diariamente submetidos a análises sob o efeito de drogas misteriosas. Jovem e ambicioso, ele é uma óbvia caricatura do gênio Geek contemporâneo. Milles Teller e Jurnee Smollett são algumas de suas cobaias, que tentam superar os erros do passado, se submetendo ao insano experimento.


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E embora sua premissa original seja interessante, Spiderhead perde seu fôlego muito rapidamente. Com um primeiro ato intrigante e bem elaborado, o longa consegue fazer a audiência comprar sua proposta, prometendo um nível de profundidade que – infelizmente – é incapaz de suprir. Abrindo mão das discussões iniciais inflamadas em sua primeira hora, o diretor Joseph Kosinski (Top Gun: Maverick) e a dupla de diretores Rhett Reese e Paul Wernick (Zumbilândia e Deadpool) se perdem e reduzem a essência do filme, que é muito boa, a um raso argumento sobre a pura e inexplicada necessidade de controle.

Com Chris Hemsworth se esforçando muito em uma atuação um tanto engessada, o thriller dramático tem potencial, usa a ficção científica como parte de seu alicerce, mas ainda assim é incapaz de trazer uma substancialidade genuína para a narrativa, se tornando uma farofa pseudo intelectual simplista. Deixando o público à deriva, à espera de um filme que definitivamente não vem, Spiderhead é uma oportunidade perdida que já se aninha na enorme e empoeirada estante de péssimos originais Netflix, que serão esquecidos na imensidão de títulos disponíveis na plataforma.

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