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Crítica | O Cidadão do Ano


A vingança procede sempre da fraqueza da alma, que não é capaz de suportar as injúrias. Dirigido pelo espetacular diretor norueguês Hans Petter Moland, cineasta que comandou um dos filmes mais lindos dos anos 2000 (chamado Uma Vida Nova, em 2004), a fita norueguesa O Cidadão do Ano conta com um excêntrico vilão, personagens envolventes, roteiro afiado, que deixam o nível de adrenalina lá em cima a cada nova sequência. É um filme violento que, antes de mais nada, mostra a dor de um pai e o incansável e ilimitado limite que o mesmo extrapola para vingar a morte de seu único filho.

Na trama, conhecemos Nils (Stellan Skarsgård), um homem de meia idade, bom trabalhador, honrado cidadão, que ganha a vida limpando a neve por meio de sua empresa familiar. Tudo ia bem em sua pacata vida até que uma tragédia acontece, seu único filho é encontrado morto. Não querendo acreditar nas causas ditas pelas autoridades sobre o falecimento, e afastando-se cada vez mais de sua mulher, resolve ir investigar por conta própria e acaba resolvendo combater uma poderosa gangue que domina a região faz anos. Assim, embarcamos no terrível universo da vingança.

O filme detalha muito bem a rotina de uma organização criminosa, sabemos detalhes sobre o dia a dia dos personagens, o que ajuda muito na hora de entendermos as ações que eles tomam ao longo da projeção. Há uma certa intolerância estúpida acoplada a uma falta de senso de justiça percorrendo todos os minutos deste belo trabalho. Além do ótimo roteiro e da direção quase impecável de Hans Petter Moland, O Cidadão do Ano é um desfile de ótimos atores. Destaque para o protagonista, interpretado pelo sempre competente Stellan Skarsgård e também para a participação especial do eterno Bruno Ganz.



O grande clímax do filme é o conflito pessoal que o personagem principal passa na hora de tomar as atitudes que necessita para consolidar seu plano de vingança. Sem saber direito como proceder em meio a uma guerra iniciada por ele mesmo, o protagonista abusa da arte do ‘achismo’ e sê vê posto em situações de extremo desconforto. A câmera de Moland escancara uma verdade tão nítida que os nossos olhos às vezes teimam em não acreditar. Com ou sem lição de moral em seu desfecho, semi-aberto e interpretativo O Cidadão do Ano cumpre seu papel e se coloca com uma das melhores estréias européias que veremos em nossos cinemas neste ano.

 

 

 

Raphael Camachohttps://guiadocinefilo.blogspot.com.br
Raphael Camacho é um profissional com mais de 20 anos de experiência no mercado cinematográfico. Ao longo de sua trajetória, atuou como programador de salas de cinema, além de ter trabalhado nas áreas de distribuição e marketing de filmes. Paralelamente à sua atuação na indústria, Raphael sempre manteve sua paixão pela escrita, contribuindo com o site Cinepop, onde se consolidou como um dos colaboradores mais antigos e respeitados deste que é um dos portais de cinema mais queridos do Brasil.
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