Crítica | O Drama – Zendaya e Robert Pattinson Estrelam Filme Pesadíssimo Que Vai Fazer Você Refletir…



“Que seja eterno enquanto dure”, já dizia o poeta, atualizando a frase clássica dos casamentos que antes dizia “que sejam felizes para sempre”. Afinal, sejamos sinceros: para sempre é muito tempo, e, justamente por isso, é praticamente impossível ser feliz o tempo todo e para sempre. Até porque, o que aconteceria se, às vésperas do grande dia, uma das partes descobrisse um segredo sobre o outro, algo capaz de mudar absolutamente tudo? Até quando duraria esse para sempre e essa felicidade? Esse é o fio condutor das inquietações propostas em ‘O Drama’, novo filme da queridinha A24 que vai pirar a cabeça do espectador e que estreia no próximo dia 9 de abril.

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Charlie (nosso eterno Edward Cullen, Robert Pattinson) entra numa cafeteria e imediatamente seus olhos recaem sobre uma moça lendo um livro. Sem saber como puxar assunto, ele pesquisa sobre o livro e finge tê-lo lido para se aproximar de Emma (Zendaya, de ‘Euphoria’), mas, no momento em que vai falar com ela, descobre que ela é surda de um ouvido. Apesar do início meio atrapalhado, os dois acabam se relacionando e, eventualmente, se apaixonando. Dois anos se passam e agora Charlie e Emma estão prestes a se casar. Porém, numa reunião de prova do buffet do casamento, em uma conversa descontraída com o casal de padrinhos Rachel (Alana Haim, de ‘Licorice Pizza’) e Mike (Mamoudou Athie, de ‘Jurassic World: Domínio’), uma terrível verdade de Emma vem à tona. E agora – agora que Charlie sabe de tudo – será que o relacionamento deles sobreviverá a este fato, às vésperas do dia do sim?

Embora ‘O Drama’ não seja um filme de terror (assinatura da produtora A24), ele constrói uma atmosfera de intenso crescente de um suspense que vai gerando angústia, desconforto e, por fim, debate.

Escrito por Kristoffer Borgli (que escreveu ‘O Homem dos Sonhos’), o roteiro parte de um leve romance (que nem é muito aprofundado pois não é o foco) para rapidamente engrenar no drama efetivo (e aqui vale não só o trocadilho com o gênero, mas também com o título, que, em inglês, tem mais um significado como “fazer tempestade em copo d’água” ou “ficar causando”). Esse é o sentimento a partir da grande revelação do segredo de Emma. A partir da reação dos personagens da história (que reagem de formas distintas), o roteiro coloca os sentimentos do espectador em cheque e é o nosso julgamento que passa a conduzir a experiência desse filme: como nós reagimos ao segredo é que vai julgar a reação dos personagens e, consequentemente, dizer quem está certo e quem está errado nessa história.

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Para um roteiro tão bem escrito, Kristoffer Borgli se esmera na direção para extrair o melhor do seu elenco, até mesmo o de apoio. Em uma cena específica, envolvendo o casal protagonista e Misha (Hailey Gates, de ‘Joias Brutas’) é impossível não morrer de constrangimento e até mesmo rir de nervoso, tamanho o absurdo dessa situação. Borgli fez uma ótima escolha de elenco, totalmente entrosado, que consegue entregar os sentimentos certos para cada situação conjuntamente com uma ótima edição, que insere flashes de eventos (nem sempre ocorridos, às vezes imaginados) que ajudam o espectador a se colocar no lugar dos personagens e sentir e pensar aquilo que eles estão pensando e sentindo.

O Drama’ é um filmaço, que causa desconforto e inquietude por muito tempo após o seu fim. De uma maneira irritantemente inteligente, ainda consegue gerar debate sobre um dos eventos mais problemáticos e constantes da vida moderna (em especial nos Estados Unidos). Ainda bem que escolheram Pattinson e Zendaya para estrelar um filme de mensagem tão relevante para dialogar, acima de tudo, com o público jovem. ‘O Drama’ acerta em todos os aspectos e precisa ser assistido por todos o quanto antes.

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Janda Montenegro
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.

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Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.