Filme de abertura da 29ª Edição da Mostra de Cinema de Tiradentes, o curta-metragem O Fantasma da Ópera é um exercício fascinante – e também desafiador – pela metalinguagem através do próprio processo criativo. Decifrando, em imagens e movimento, o universo audiovisual por trás das câmeras, vamos caminhando pela subjetividade, pelas percepções e interpretações de um mundo mágico, repleto de possibilidades e significados.

Com cerca de 25 minutos de projeção, e tendo como base (também um espelho) as filmagens de seu novo trabalho, Pitico – projeto protagonizado pelo veterano Paulo Betti –, o cineasta de 79 anos Júlio Bressane, ao lado Rodrigo Lima, provoca o público a todo instante com uma obra que lembra um making of, mas que encontra nas sutilidades suas grandezas.

Não há questionamentos: a graça está na revelação por trás do nascer de uma narrativa, no modo como é contada uma história, algo que acaba refletindo sobre o próprio cinema. Esse convite aos espectadores, à obra e sua construção, nasce da relação de Bressane e sua equipe, que abrem as portas de seus imaginários, mostrando como uma ideia vira movimento em uma tela grande.

Pela sensibilidade de um artista renomado, vamos entendendo alguns contextos que atravessa histórias contadas, nos colocando em um papel – nada incômodo e contemplativo – de observadores do que pode acontecer no ‘por trás das câmeras’. Bressane e companhia revelam sua mágica como verdadeiros ‘Mister M’ do cinema. Algo fascinante, que instiga um epicentro reflexivo de qualquer pessoa nos primeiros passos no trabalho audiovisual: o sonhar.



