segunda-feira, fevereiro 9, 2026
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Crítica | O Silêncio da Cidade Branca – Suspense da Netflix no estilo ‘O Código da Vinci’





Você se amarra num filmezinho de suspense, com policiais investigando o passo a passo, um assassino serial killer à espreita, um clima de penumbra em uma bela cidade e, de quebra, umas teorias de conspiração como pano de fundo, com direito a argumentos históricos calcados em monumentos e manifestações artísticas de uma cidade? Bom, então você vai curtir ‘O Silêncio da Cidade Branca’.

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Numa grande pegada a la ‘O Código da Vinci’, o longa conta a história de um bi-zar-ro serial killer que já aparece matando logo na primeira cena. A assinatura do chamado Assassino do Sono mistura abelhas e tortura, e realmente fará o espectador torcer a boca em repulsa. No encalço desse assassino está o perfilador e detetive Usi Ayala (Javier Rey) e sua assistente, Esti (Aura Garrido). Para ajudá-los, chega a nova superintendente Blanca (Belén Rueda). Juntos, os três tentam desvendar a identidade desse assassino.

Agora, vamos aos pontos altos e baixos do filme.

O Silêncio da Cidade Branca’ é uma superprodução – basta olhar para a quantidade de figurantes contratados para as cenas externas que só servem para ambientar a trama. O longa também tem muitos planos abertos, câmeras passeando sobre telhados, perseguições por ruas inteiras, enfim, todos os enfeites que um filme de ação possui para encarecer sua produção.

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Para construir a motivação e a assinatura do serial killer, o argumento do filme apresenta fatos históricos bastante particulares de uma Espanha desconhecida ao turista, mesclando eventos culturais marcantes com a religião católica, tão importante para aquele país. O Assassino do Sono justifica a escolha de suas vítimas com base na combinação desses elementos, a as dispõe em poses que parecem uma pintura renascentista.

Tudo isso é muito legal por um lado, porém o roteiro é um bocado preguiçoso, dando a impressão de perder a paciência consigo mesmo e, em vez de construir os personagens e os elementos que insere na história, ele simplesmente os joga na trama, forçando o espectador a aceitar o desenrolar de tudo (e algumas coisas ficam bem difíceis de aceitar). Também os atores poderiam ter se esforçado para tornar os vínculos entre eles mais críveis, menos artificiais.

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Então, se por um lado ‘O Silêncio da Cidade Branca’ tem um argumento bem interessante; e ambientação, caracterização e produção bem afiada, por outro a direção de Daniel Calparsoro deixou a corda correr solta, e o resultado é um filme marromeno. Cabe ao espectador decidir se o filme é 50% bom ou se é 50% ruim. Vai depender do ponto de vista de cada um.

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Janda Montenegro
Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.

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