Crítica | ‘Olho por Olho’ – Terror sobrenatural sobre a culpa que cega

Se jogando em uma provável interpretação sombria de uma figura mítica do folclore europeu, o longa-metragem de terror Olho por Olho – que estreou recentemente na HBO MAX – aposta suas fichas nas crendices populares, trazendo o sobrenatural sob os holofotes colocados em gerações de uma família que sofrem a consequência da culpa. Pena que inconsistências no roteiro nos levam para uma jornada sonolenta e irregular.

Dirigido por Colin Tilley, essa é uma obra vai se construindo aos poucos, em um início sugerindo mais que mostrando. Esse ritmo cadenciado na composição da narrativa estabiliza a atmosfera de tensão – algo que pode ser uma faca de dois gumes -, ao criar sensações de incertezas através de recursos da linguagem visual que vão materializando algo que não podemos enxergar, em um primeiro momento.

A jovem Anna (Whitney Peak) vai morar com a avó cega (S. Epatha Merkerson), no interior, após uma tragédia atingir sua família. Sem ter muito o que fazer em um primeiro momento, resolve conhecer melhor a região. Em uma das caminhadas, conhece dois jovens arruaceiros, Julie (Laken Giles) e Shawn (Finn Bennett). Quando esses novos amigos tomam uma atitude absurda contra um garoto e Anna não faz nada para ajudar, acaba sendo amaldiçoada. Aos poucos, ela vai descobrindo também segredos sombrios da própria família.

Cena de 'Olho por Olho'
Cena de ‘Olho por Olho

Todo rodado na cidade de Savannah, no estado da Geórgia, o projeto parece querer impor uma série de lições de moral por meio do universo fantástico. Assim, atravessa a culpa e suas consequências, reunindo no centro das atenções uma dinâmica familiar marcada pelo distanciamento, com histórias que se separam entre gerações, encontrando-se no frágil elo com o eixo central da trama.

Cena de 'Olho por Olho'
Cena de ‘Olho por Olho

Olho por Olho não deixa de ser uma narrativa básica guiada pelo medo. Não há nada muito diferente em relação à linguagem em comparação a outros projetos do gênero. Os elementos de tensão são distribuídos através de situações aterrorizantes que se chocam com lendas urbanas – algo já visto muito por aí. Árvore misteriosa, a alma em forma de figura fantasmagórica que só pensa em vingança, figuras familiares ambíguas e jovens sem noção, tentam ser elementos importantes dentro de uma história que, em muitos momentos, se perde em seu discurso.

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Raphael Camacho
Raphael Camachohttps://guiadocinefilo.blogspot.com.br
Raphael Camacho é um profissional com mais de 20 anos de experiência no mercado cinematográfico. Ao longo de sua trajetória, atuou como programador de salas de cinema, além de ter trabalhado nas áreas de distribuição e marketing de filmes. Paralelamente à sua atuação na indústria, Raphael sempre manteve sua paixão pela escrita, contribuindo com o site Cinepop, onde se consolidou como um dos colaboradores mais antigos e respeitados deste que é um dos portais de cinema mais queridos do Brasil.