O que o silêncio pode nos dizer sobre nossa vida e nosso cotidiano? Essa e outras perguntas são sugeridas pelo vencedor do prêmio de melhor curta-metragem na mostra novos rumos do Festival do Rio 2026, Ondas de Silêncio. A obra, dirigida por Caio J. Bonfim nos leva até alguns despertares no processo de aceitação de um jovem que vê seu mundo ganhar novas possibilidades quando conhece um outro rapaz.

Amon (Davisson Melo Da Silva) é um jovem surdo que ajuda sua mãe (Ana Flavia Cavalcanti) em um modesto hotel localizado em uma rua movimentada de Salvador. Sempre interagindo com sua vizinha, Daniella (Mariana Evangelista Da Silva), um dia surge Roberto (Victor Hugo), outro jovem batalhador que mora em uma favela e ajuda o pai no negócio da família, entregando galões de água. Com Daniella logo se interessando por Roberto, Amon começa a perceber uma proximidade com ele, especialmente quando o rapaz compra um livro de libras pra se comunicar.

Da janela de casa ou na praia, o protagonista observa a rua, as interações, as pessoas e os fatos cotidianos que cercam o lugar onde vive. Vivendo uma rotina consumida pelo esforço de ajudar a mãe no empreendimento familiar, passa muito tempo ao lado de seu pássaro. Essa situação, inclusive, é uma parábola sugerida: A ave presa e ferida em uma gaiola pode representar o protagonista algo próximo dos obstáculos de se sentir aceito em uma sociedade com ainda poucas possibilidades no quesito inclusão.

O roteiro sugere e instiga o público a refletir sobre seu protagonista com uma narrativa que expõe situações e movimentos que avançam para os sentidos existencialistas da liberdade e a construção da própria identidade. Ao longo de 20 minutos, a trama se desenrola de forma natural, com três harmônicos personagens que deixam suas marcas, construindo ao seu redor um contexto que vai encontrando caminhos para inspiradoras reflexões. Interessantíssimo curta-metragem.

