Crítica | One Piece: O Filme – Animação dos anos 2000 Chega como Convite à Nostalgia para os Fãs

Não é exagero algum dizer que ‘One Piece’ é um fenômeno global que já conquistou fãs de todas as idades e em diferentes formatos e gerações. A trupe de Luffy, o jovem que sonha em ser o rei dos piratas, já está no ar há quase trinta anos, com cerca de mil episódios seriados em animação e também, recentemente, em série live-action na gigante do streaming. Mas, para muita gente, ainda é novidade, e é sempre bom arrecadar novos fãs pra franquia. E assim estreia na próxima semana no circuito nacional o filme de animação ‘One Piece: O Filme’.

Existe uma lenda bastante conhecida sobre um pirata chamado Woonam (no Brasil, na voz de Carlos Castelhano), que, dizem, acumulou aproximadamente um terço do ouro do mundo. Não se sabe ao certo a verdade sobre o caso, pois nada mais se ouviu falar dele, e, por isso, a lenda em torno dele cresceu e, dizem, que ele desapareceu com todo o seu ouro em uma ilha remota de paradeiro desconhecido. Por conta disso, diversos piratas o procuram até hoje. Buscando obter esse tesouro, Luffy (voz de Carol Valença) e seus amigos, a bordo do Going Merry, famintos, se meterão numa enorme confusão e terão que se reencontrar para impedir Eldorago (voz de Bruno Pato), pirata que possui o poder de uma Akuma no Mi, de colocar as mãos no ouro de Woonam.

Com exatos sessenta minutos de duração, não seria errado chamar ‘One Piece: O Filme’ de um OVA (uma animação original em vídeo, algo bastante comum e que se tornou bastante popular no Ocidente no início dos anos 2000), pois é uma aventura um pouco maior do que o tamanho normal de um episódio da série de anime, mas não é exatamente um longa produzido para o cinema, embora hoje esteja sendo exibido em um (e tá tudo certo, claro). Até porque ‘One Piece: O Filme’ é uma produção de 2000 (quando ainda o anime não era tão popular no Brasil).

E até como estratégia de lançamento, a versão para os cinemas brasileiros além de trazer a aventura supracitada, também traz uma cena divertidinha de Usopp (Adrian Tatini) no início, para ajudar a compor os sessenta minutos da projeção. Além disso, nos créditos iniciais há uma breve explanação sobre do que se trata o One Piece, para ajudar os novos expectadores a compreender o geral da aventura.

Enquanto anime, o ‘One Piece: O Filme’ entrega na medida do que se espera da produção: uma história maluquete que traz Luffy como protagonista num misto de personagem jovial que cresce na hora que o grupo precisa dele e que serve de exemplo para os mais novos (um garoto que, assim como ele, também quer se tornar um pirata), construindo um diálogo com o próprio passar de geração do seu público.

A técnica de animação em 2D, característica de produções da virada de milênio, se faz presente em todo o filme, que mistura ação e fantasia com diversas doses de humor ao longo dos diálogos (menos com Nami [Tati Keplmair], que parece ser a única que não leva tudo na brincadeira no grupo).

Divertido e direcionado para os nostálgicos e fervorosos fãs da franquia, ‘One Piece: O Filme’ é, também, o início de uma estratégia que trará, nos próximos meses, diversos filmes da animação para os cinemas, sendo este o primeiro. E, por ser aquele que dá o pontapé inicial, entrega uma diversão bacana e na medida para todas as idades, com possibilidade de arrancar sorrisos até mesmo de quem não conhece nada desse universo. Para os fãs, é como ver um álbum de fotos da época da escola, com sabor de saudade e molecagem.

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Janda Montenegro
Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.