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Crítica | Operação Obscura – Mary J. Blige Tenta Desvendar Entidade Maligna em Suspense da Netflix


Muito conhecida no universo pop do cenário musical internacional, a produtora e compositora Mary J. Blige vira e mexe também trabalha como atriz, e bem. Dotada de um rosto muito expressivo (até mesmo quando os personagens são mais misteriosos), a cantora já participou de grandes produções, como a série ‘The Umbrella Academy’ (2019) e o premiado longa ‘Mudbound: Lágrimas Sobre o Mississipi’ (2017). Agora a atriz volta a atuar em novo lançamento da Netflix, o suspenseOperação Obscura’, que, apesar de ser de 2020, está sendo disponibilizado na plataforma apenas este ano.

O clima não anda muito bem para os policiais na pequena cidade de Swindon, na Califórnia, após a morte de um rapaz, encontrado morto, brutalmente assassinado. A opinião pública coloca os policiais como culpados, e a atmosfera está hostil. No meio disso tudo, Renee (Mary J. Blige) está voltando à corporação, após um período de luto pela morte de seu próprio filho. Já no primeiro dia ela é designada para fazer dupla com o novato Danny (Nat Wolff) e, enquanto fazem a ronda de rotina, encontram a viatura abandonada do colega Ganning (Ian Casselberry), cujo corpo é visto todo mutilado. A partir da perda desse amigo, Renee começa uma investigação por conta própria para descobrir o que está acontecendo com todas essas mortes sem explicação, sem saber que estava se metendo em um assunto sobrenatural…



Em uma hora e meia ‘Operação Obscura’ divide bem o enredo em dois momentos, literalmente marcados na metade da produção. A primeira parte caminha pelo suspense, nem o espectador nem a protagonista sabem o que ou quem está matando, e começamos a sentir a presença do mal; a segunda parte, que encaminha o enredo para sua conclusão, dá algumas várias derrapadas, muitas vezes deixando o espectador com cara de “ué?”. Essas pequenas liberdades que o roteiro de Nicholas McCarthy e Richmond Riedel propiciam uma leve arruinada no todo do longa, que eventualmente pode acabar frustrando aqueles que o assistirem.

Por outro lado, o filme de Malik Vitthal constrói bem o clima de suspense, com mortes condizentes à causa e cenas que podem agradar os fãs de terror. Mary J. Blige entrega uma personagem firme, de poucas expressões e fiel à sua história, destacando-se do resto do elenco. Também é bom ver o jovem ator Nat Wolff realizando papéis mais sérios, quem sabe pensando nos novos rumos para a sua carreira. 

Operação Obscura’ é um suspense interessante, porém irregular em sua execução. Começa muito bem, mas desanda no meio do caminho. Provavelmente anda dividindo também as opiniões dos espectadores, uma vez que o longa está figurando entre os mais vistos da Netflix. Para quem ainda não viu, é uma boa dica se os gêneros de suspense e terror são os únicos que você curte.

Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.
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