Crítica | ‘Party Princess’ – A história de uma princesa que não é da Disney [Kinoforum 2026]

É fundamental, principalmente em um curta-metragem, ganhar a atenção do público logo nos primeiros instantes. E isso pode ser feito de muitas formas: por meio de uma sugestão, uma provocação ou até mesmo uma mescla de elementos que circulam pelas infinidades da linguagem, rumo a uma construção específica sobre o tema proposto.

Assisti a um filme em uma sessão vespertina da Mostra Brasil 12 – Fantasmas In-Pertinentes, do Kinoforum 2026, sobre os trancos e barrancos enfrentados por uma artista brasileira imigrante (Bia Gallo) em busca de sucesso nos Estados Unidos. Em mais um dia corrido de sua vida, ela se depara com uma situação inusitada: encontra uma garotinha, também vestida de princesa, perdida, e precisa encontrar os parentes dela ao mesmo tempo que precisa lidar com importantes compromissos.

Essa co-produção Brasil, França e Estados Unidos, escrito e dirigido por Daniel Barosa, explora as oportunidades, as escolhas e os contrapontos entre sonho e desilusão, em que um acontecimento vira a chave para abrir uma porta até então inacessível, podendo se tornar um estopim para revelações. A construção desse universo esbarra no encantador, provocando uma atmosfera que explora a angústia de forma mais amena e que chega com força na saudade.

Visualmente, o filme conversa além de seu roteiro, potencializando, as ações e consequências vivenciadas pela protagonista. Produz sensações dentro do quadro que expõem um liquidificador de emoções, circulando entre a inocência, vulnerabilidade e a fantasia, com a predominância do rosa atravessando os momentos do dia, tendo a figura da princesa como símbolo que representa as fases de uma vida.

Pelas entrelinhas, podemos ler claramente que Party Princess é sobre uma mãe solteira que precisou deixar o filhos com os pais para tentar a vida em uma cidade que ilude mais do que realiza sonhos. Uma história que já vimos outras vezes sendo retratadas no audiovisual, mas que aqui ganha personalidade e, de forma madura, nos conduz para um caminhão de reflexões sobre a vida e as diferenças das escolhas que nos são impostas e aquelas que fazemos livremente.

 

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Raphael Camacho
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Raphael Camacho é um profissional com mais de 20 anos de experiência no mercado cinematográfico. Ao longo de sua trajetória, atuou como programador de salas de cinema, além de ter trabalhado nas áreas de distribuição e marketing de filmes. Paralelamente à sua atuação na indústria, Raphael sempre manteve sua paixão pela escrita, contribuindo com o site Cinepop, onde se consolidou como um dos colaboradores mais antigos e respeitados deste que é um dos portais de cinema mais queridos do Brasil.