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Crítica | Perfeição Insondável – Polêmico filme “picante” da Netflix mira no terror e acerta na comédia…


Verdade seja dita: nem todo filme é feito para ser um filmão, desses que leva a gente a refletir sobre um tema ou que abocanha todos os prêmios nos festivais. Há filmes que são feitos apenas para entreter, para gerar bilheteria ou para que elenco e produção ganhem experiência. Nem todo filme é bom, mas, quando o filme é ruim… bom, aí temos duas opções: ou o filme é ruim por se pretender algo mais do que oferece, ou é ruim porque fica tão, mas tão distante da sua proposta, que faz a gente rir. Um ótimo exemplo desse segundo caso é o longa ‘Perfeição Insondável’, que anda revoltando os espectadores da Netflix.

Libs (Ema Horvath) é uma adolescente introvertida, que adora arqueologia e está de volta à sua casa após um acampamento de verão. Sua mãe, Michelle (Mena Suvari – é isso que você anda escolhendo fazer depois de ‘Beleza Americana’?), tem apenas 42 anos, é escritora e adora a relação que tem com a filha, por isso vai buscá-la no acampamento e, no caminho de volta, conta a novidade: está namorando. O que poderia ser apenas uma boa notícia rapidamente se transforma em um tentador pesadelo para a jovem Libs, pois John (Trey Tucker), o tal o namorado, tem apenas 30 anos e é um pedaço de mau caminho. Assim, passar a conviver com John não será tão fácil, especialmente quando ele parece estar tão, tão interessado nas coisas que ela faz…



Perfeição Insondável’ era para ser um suspense/thriller com pitadas de terror e perseguição, mas o resultado se parece mais com um argumento estendido de um filme pornô mal resolvido. Os primeiros dez minutos do longa já dão o mote do que o espectador vai encontrar: uma relação narcísica de mãe e filha disputando indiretamente o gostosão do namorado da mãe, como se fosse aquelas histórias da mitologia grega. Na verdade, é: uma releitura do mito de Édipo.

A coisa toda é feita de maneira tão cafona, que o que era para ser o “clima” (de tensão ou de tesão) na real arranca risadas. A inserção do personagem John na trama é literalmente ele saindo da lagoa, desnudo, apenas de sunguinha, sob os olhares envergonhados porém curiosos da adolescente que parece estar sempre com pressão baixa e nunca ter visto homem nenhum na vida (sem sequer em filmes!). Parece ter feito escola com Bella Swan. A partir daí as situações são totalmente previsíveis, dá quase pra adivinhar as falas! Há uma cena em que John quase pergunta para Libs se ela quer conhecer o quarto vermelho dele… sério, não dá.

Perfeição Insondável’ é um dos filmes mais hilários da Netflix. Focou no terror e acertou na galhofa. Uma opção irrecusável de boas gargalhadas, vergonha alheia e muita cafonice. Forte candidato a um dos melhores piores filmes da plataforma, é uma ótima opção de diversão para um final de semana friorento de início de inverno.

Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.
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