Há poucos meses, no Rio de Janeiro, tornou-se obrigatório o uso de câmeras corporais nos uniformes dos policiais, com registro áudio e visual das ocorrências, os quais, por isso, são impossíveis de serem apagados. Essa determinação está em expansão no território brasileiro, com debate e posterior implementação em diversos estados, assim como tem ocorrido também nos Estados Unidos, onde a prática já está em vigor há mais tempo. E uma vez que essa realidade já está fazendo parte do dia a dia de tantas pessoas, naturalmente também o cinema faz uso desse elemento para sua narrativa – e é o que vemos em ‘POV: Presença Oculta’, mais novo thriller que chega a partir de hoje nos cinemas, mais novo thriller que chega a partir de hoje nos cinemas, um misto de suspense e sobrenatural.

Em uma noite comum de ronda, uma dupla de policiais recebe uma chamada da central, pelo rádio, falando sobre uma suposta briga domiciliar. Os dois respondem ao chamado e se encaminham para o local, que fica numa zona perigosa da cidade, frequentada por pessoas que costumam ir ali para consumir drogas. Uma vez no local, o policial Jackson (Jaime M. Callica) e o policial Bryce (Sean Rogerson) se deparam com uma casa em péssimo estado, sem luz, com marcas e desenhos esquisitos na parede e, ao chegarem nos outros andares, encontram uma mulher em estado de apatia e coberta de sangue, e um homem em igual estado segurando algo enrolado num pano. Assustado, Bryce acaba atirando. O que nem ele nem Jackson podiam imaginar é que a partir desse momento, algo muito mais sombrio iria acontecer em suas vidas.
Numa pegada bem found footage (que ficou popularmente conhecido no terror ‘A Bruxa de Blair’), ‘POV: Presença Oculta’ parte da realidade cotidiana para explorar possibilidades de contar uma história de horror sobrenatural. O roteiro de Brandon Christensen (que também dirige o longa) e Ryan Christensen equilibra bem as uma hora e vinte de duração do longa em uma história que não se demora em apresentar o plot e dedica mais tempo no desenvolvimento do sobrenatural, encontrando soluções para fazer a história se estender com elementos que produzem novidade no enredo, e não causando uma sensação de esvaziamento do assunto.

Mesmo considerando a curta duração e do aparente baixo orçamento, a produção encontrou formas de imprimir valor, com, por exemplo, a grande quantidade de figurantes espalhados pelas cenas ou o uso de um carro dressado de policial para as gravações. Talvez se pensarmos mais friamente, isso compensa a economia de luz e de câmera para as gravações – que, não precisa explicar, é gravada toda com as câmeras corporais, tal como nos videogames.
O grande barato de ‘POV: Presença Oculta’ é deixar a sensação de que estamos vendo, na verdade, uma denúncia policial, imagens vazadas de profissionais reais que passaram por aquela situação. Para quem vê os noticiários, é mais ou menos a mesma vibe. Só que, obviamente, com a pegada de terror que o sobrenatural entrega quando traz explicações do outro mundo para justificar os acontecimentos do filme.
Interessante e cru, ‘POV: Presença Oculta’ é uma alternativa de terror bastante próximo da realidade urbana, com uma cobertura do além e jump scares soltos que podem trazer certa adrenalina nos mais assustados.

