Crítica | Preacher: 1ª Temporada – Um deleite para os fãs do sobrenatural, humor ácido e velho oeste

Crítica | Preacher: 1ª Temporada – Um deleite para os fãs do sobrenatural, humor ácido e velho oeste


Nota:


Filmes e séries de TV que são adaptações dos quadrinhos são um produto que só cresce dentro do mercado audiovisual. Essa abordagem já existe por décadas, e muitos se tornaram ou se tornarão também desenhos. Alguns acertam em sua tonalidade, outros apesar de saírem do tom das famosas HQs conseguem manter o nível, e temos ainda os não tão sortudos que fracassam. A demanda por heróis e anti-heróis vem se tornando cada vez maior e as grandes produtoras precisam encontrar as boas histórias para lapidar.

Preacher, baseada nos quadrinhos do extinto selo Vertigo, da DC Comics, escrita por Garth Ennis (John Constantine – Hellblazer) e o falecido desenhista Steve Dillon (Miracleman), leva o nome de Sam Catlin (Breaking Bad), Evan Goldberg (É o Fim) e Seth Rogen (A Entrevista) como os criadores. Estrelada por Dominic Cooper, a trama acompanha um pastor texano chamado Jesse Custer (Cooper), possuído por uma entidade misteriosa que lhe confere um poder incomum.

Com roteiro recheado de mistério, elementos sobrenaturais, humor ácido, deturbado e escorrendo pelo canto da boca, a primeira temporada da dramaturgia é um deleite aos olhos de quem ama produções envolvendo cidadezinhas à la velho oeste modernizado. As mentes por trás da trama não hesitam em apresentar uma história cujos bons costumes foram jogados pela janela. Aqui o espectador conhecerá pessoas e histórias que não se encaixam na escala preto e branco das coisas, mas sim na névoa cinza que cerca a humanidade. Não existe bem e mal por aqui, mas sim uma complexidade tão bem amadurecida que chega a dar gosto conferir.


Aproveite para assistir:


Ao adentrar o universo do Pastor Jesse Custer, o público vai aos poucos descobrindo o todo que cerca o drama. A série é um verdadeiro slow burn – ou seja, que toma seu tempo para se desenvolver –, o que só contribui em positivo para a produção. É como se, de fato, o telespectador estivesse acompanhando uma história em quadrinhos, a qual vai se construindo de quadro em quadro. Ao longo de cada episódio pontas são deixadas para que os espectadores trabalhem suas mentes tentando descobrir a ligação de situações dentro da série. Contudo, conforme vai se aproximando do desfecho final da primeira temporada, as respostas para as perguntas deixadas vão sendo respondidas e o quebra-cabeças vai, finalmente, sendo montado. É uma masterpiece no quesito coerência de roteiro.

Os personagens, como dito acima, não são exatamente aquilo que a capa mostra. Afinal, no decorrer dos dez capítulos, eles vão ganhando camadas e mostrando que são muito mais do que somente o que é visto no início. Este teor de realismo dado ao desenvolver essas peculiaridades, personalidades e identidades é uma aula de como construir pessoas fictícias verossímeis. Cooper, que lidera a produção em tela, está em um dos melhores papeis que já viveu. A culpa carregada por Jesse, a sobrecarga da missão e a sombra do recente passado são vistos em suas feições, não precisaria nem de diálogos para ser possível identificar.

Por outro lado Cassidy (Joseph Gilgun), que se intitula seu melhor amigo, mesmo com todos os crimes cometidos, é o oposto do pastor, e ganha o público facilmente devido ao seu humor impróprio e personalidade particular. É difícil não torcer pelo sucesso dele. Tulip O’Hare (Ruth Negga) é, de longe, uma das melhores coisas que Preacher poderia entregar ao público. A ex-amante do protagonista entrega uma das melhores cenas de apresentação de um personagem, é praticamente impossível não se apaixonar por ela naquele momento.

Outros que merecem destaque são Eugene (Ian Colletti) – que tem uma das melhores storylines secundárias -, Donnie Schenck (Derek Wilson) e a esposa Betsy Schenck (Jamie Anne Allman) – cujas viradas de roteiro são de surpreender qualquer um -, Odin Quincannon (Jackie Earle Haley) – capaz de despertar antipatia desde o primeiro momento -, Emily (Lucy Griffiths) – outra que é digna de uma super reviravolta -, e os anjos Fiore (Tom Brooke) e DeBlanc (Anatol Yousef). Isto sem contar a própria cidadezinha que é um personagem próprio.

Ademais, a primeira temporada de Preacher é um espetáculo de direção. As paisagens escolhidas não poderiam ser melhores para representar este velho oeste moderno. Chega a dar vontade de conhecer de perto (mas só por alguns minutinhos, afinal, ôh lugarzinho para acontecer desastre). Outro detalhe que merece algumas palmas é a trilha sonora, a qual dá vontade de ouvir em um looping eterno. Por fim, mas não menos importante, a arte também realiza um excelente trabalho.

A série adaptada por Sam Catlin, Evan Goldberg e Seth Rogen vale e muito a sua atenção. Esta primeira parte, que conta com dez episódios distribuídos no Brasil pelo canal de streaming Amazon Prime Video, é um deleite para qualquer pessoa que curta sobrenatural, humor ácido e uma boa luta. Corra e assista antes de sair nossa crítica da segunda temporada!


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