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Crítica | ‘Predador: Assassino de Assassinos’ é um visceral ESPETÁCULO artístico e uma das melhores animações do ano


A saga de ação sci-fi ‘Predador’ teve início em 1987 e acompanhou o sucesso iminente que ‘Alien, o 8º Passageiro’ e sua sequência, ‘Aliens: O Resgate’, trouxeram para o gênero de ficção científica. Com o sucesso do primeiro filme, uma franquia multimidiática ganhou forma, estendendo-se para diversas produções que culminaram na elogiada pré-sequência O Predador: A Caçada’, em 2022. Não é surpresa, pois, que a revitalização desse icônico universo viria acompanhado de inúmeras surpresas – como é o caso da animação Predador: Assassino de Assassinos, que chegou ao catálogo do Disney+ no último dia 6 de junho.

Trazendo Dan Trachtenberg de volta à cadeira de direção após ‘A Caçada’ e nos preparando para o vindouro ‘Predador: Terras Selvagens’, o breve longa-metragem é uma grata surpresa do cineasta e insurge como uma das melhores animações não apenas do ano, como da década – expandindo-se em três histórias antológicas que convergem para um mesmo ponto e que refletem o contínuo legado deixado pela franquia. E, contando com um cuidado estético e narrativo impecável que não apenas deve agradar aos fãs de longa data, mas à nova geração que, pouco a pouco, vai se apaixonando por esse enredo, o resultado é muito mais aprazível do que imaginávamos e nos envolve do começo ao fim, nos fazendo ansiar por mais.

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O projeto divide-se em quatro partes muito bem delineadas: a primeira delas nos leva para a Escandinávia do século IX, acompanhando a guerreira viking Ursa (Lindsay LaVanchy), que promove uma investida contra o povo Krivichi a fim de encontrar seu líder, o impiedoso Chefe Zoran, para vingar a morte do pai e honrar seu próprio legado antes de se juntar a ele em Valhalla – até, é claro, se tornar alvo de um perigoso Predador. Convidando-nos a navegar pela polvorosa cultura nórdica que tanto inspirou e continua inspirando realizadores ao redor do mundo, Trachtenberg une-se a um time muito competente de animadores para garantir o máximo aproveitamento em uma épica e sangrenta jornada que se repete nos dois capítulos subsequentes.



Pouco depois, somos transportados ao Japão Imperial, acompanhando os irmãos Kenji e Kiyoshi (ambos interpretados por Louis Ozawa), filhos de um chefe de guerra samurai que se veem separados pelas circunstâncias de uma vida marcada pelo combate e pela resiliência. Aqui, Kenji, tendo permanecido em exílio como um shinobi (um andarilho deserdado que funciona como espião e assassino), retorna para o império recém-adquirido de Kiyoshi para enfrentá-lo e recuperar sua glória – e se vê no centro de uma batalha cujo principal inimigo é uma perigosa criatura capaz de se tornar invisível que, eventualmente, sofre a ira dos dois irmãos.

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A terceira parte nos leva para 1942, no auge da II Guerra Mundial, e acompanha Torres (Rick Gonzalez), um piloto que tenta ao máximo provar seu valor não apenas para seu batalhão, mas para o pai, e acompanha seus colegas de guerra em uma investida contra uma nave espacial controlada por um impiedoso Predador que os elimina um a um (e tudo isso em meio à conhecida Batalha do Atlântico). Seguindo os passos de Ursa e Kenji, Torres derrota o Predador; porém, o que ele não esperava é que seria abduzido por sentinelas e asseclas de um Chefe Predador, sendo induzido ao sono criogênico até acordar em um planeta distante ao lado dos outros guerreiros, em uma arena de gladiadores onde devem se enfrentar até a morte (e que nos introduz ao capítulo final dessa incrível epopeia).

Trachtenberg encontra sucesso absoluto em delinear cada um dos capítulos com o máximo de potência e de apreço pela própria saga, garantindo que as sequências de ação tenham aspectos em comum e sejam diferentes entre si – marcada pelo proposital excesso de violência e de sangue que nos deixa em choque da melhor maneira possível. A cautela estética é inegável, e contribui para transformar o que poderia ser apenas mais uma entrada do universo ‘Predador’ em um espetáculo incomparável e instigante (que peca apenas pela curta duração). E, em colaboração ao roteiro de Micho Robert Rutare, percebemos a construção de jornadas do herói reformuladas que apostam fichas no classicismo aventureiro e numa originalidade única que não escorrega em quase nenhum momento.

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Benjamin Wallfisch, fazendo sua estreia no cenário animado, encontra uma maneira impecável de transformar a trilha sonora em parte ativa da narrativa, como se ela posasse como um personagem coadjuvante que impulsiona os objetivos e as motivações dos nossos protagonistas. E, como percebemos, essa tarefa não é nem um pouco difícil, considerando que Wallfisch assinou a trilha de aclamadas obras sci-fi, incluindo ‘Blade Runner 2049’, ‘O Homem Invisível’ e ‘Alien: Romulus’. Seguindo os passos da estrutura fílmica quatripartida, ele busca os tambores de guerra escandinavos, as notas fabulescas do shakuhachi e o clássico jazz dos anos 1940 como ponto de partida para orquestrações épicas práticas e vibrantes.

Predador: Assassino de Assassinos não apenas sagra-se como uma das melhores animações dos últimos anos, como também um dos capítulos mais bem delineados dessa memorável e adorada saga – mostrando que, mesmo quatro décadas depois de seu início, ainda há muito para se contar.

Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.
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