A Austrália é um país que permeia o imaginário das pessoas como um local inóspito, cheio de animais selvagens que perambulam entre os seres humanos em plena cidade. Ainda que isso seja em parte verdade (eu mesma já morei lá, e via alguns desses animais em árvores e quintais nas áreas urbanas), o que mais chama a atenção naquele país é os animais peçonhentos enormes, incomuns aos olhos da ocidentalidade. E é nesse diferencial que ‘Próxima Parada: Lar Doce Lar’ constrói sua história – e é a razão pela qual vem fazendo sucesso na Netflix desde sua estreia.

Maddie (na voz original de Isla Fisher) é uma cobrinha azulzinha fofinha – ou, ao menos, é assim que ela se vê. Ela está prestes a estrear no show de um explorador australiano (Keith Urban), mas, quando aparece ao público, o humano a apresenta como uma criatura perigosíssima, terrível, odiosa e letal. Diante da reação das crianças, Maddie fica magoadíssima, sem entender por que a veem assim. Quando mais um episódio de violência afasta a crocodila Jackie (Jacki Weaver) do zoológico, Maddie decide que é a gota d’água e convence seus amigos peçonhentos – um lagarto, um escorpião e uma aranha – a fugirem do recinto e voltarem para as montanhas, onde é o verdadeiro lar de criaturas como eles. Só que no caminho eles sem querer acabam levando junto o coalinha Bonitinho (Tim Minchin), atração principal do local.



Em uma hora e meia de duração, ‘Próxima Parada: Lar Doce Lar’ atualiza a temática dos bichinhos que fogem do cativeiro já bastante explorada por franquias como Os Sem Floresta’ e ‘Madagascar’ e a traz para o universo australiano, fazendo desse mote o artifício perfeito para apresentar para as crianças do mundo os animais oriundos daquela terra, tais como o demônio da Tasmânia, o coala, o canguru, as aranhas venenosas, etc. Essa sacada do argumento de Harry Cripps foi realmente genial.

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Outro ponto de destaque é a dublagem no Brasil, que, mais uma vez, confere personalidade a uma animação. As vozes não só emprestam uma excelente interpretação aos sentimentos dos animais nos momentos chave da trama, como também aproximam os diálogos do falar brasileiro – razão pela qual nos encangalhamos de rir em cenas como a do explorador australiano estilo Crocodilo Dundee falando pro próprio filho “não pirar o cabeção”. Na versão original o elenco de dublagem é composto por atores nascidos ou que moram na Austrália, e sobra espaço até para inserir referência a ‘Mad Max‘ no enredo.

Apesar de perder a oportunidade de falar sobre os aborígenes indígenas australianos que vivem no Outback (região central e desértica do território, e não a franquia de restaurantes), apenas sinalizando levemente a temática com uma bandeira em uma mochila de criança, o filme faz sua mea culpa ao final, inserindo uma importante mensagem de respeito aos povos originários de Uluru.



Próxima Parada: Lar Doce Lar’ é uma animação engraçada, fofa e instrutiva, com uma estética que lembra os traços de ‘Luca’ e ‘Rio’, ainda que sejam de estúdios diferentes. História e abordagem funcionam na medida certa para todos os públicos, tornando o longa um ótimo programa para se divertir em família durante as férias de verão.

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