sábado, fevereiro 7, 2026
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Crítica | Raízes Macabras – Possessão Demoníaca em BIZARRO terror da Netflix





Um determinado filme de terror de 2020 chegou devagarzinho na Netflix e rapidamente conquistou os espectadores, por se tratar de um filme de possessão demoníaca cuja execução é bem diferente do que comumente é trazido por Hollywood. Estamos falando de ‘Raízes Demoníacas’ – que também é encontrado na plataforma por seu nome original, ‘The Old Ways’.

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Já de cara conhecemos Cristina (Brigitte Kali Canales), uma jornalista que está acorrentada em um casebre abandonado, refém de Javi (Sal Lopez), um senhor que fica defumando o quarto, e Luz (Julia Vera), uma velha senhora nativa mexicana. Desesperada, Cristina clama por ajuda, até que sua prima, Miranda (Andrea Cortés), aparece e lhe explica que ela desobedecera às instruções de não ir à caverna de La Boca; agora, uma presença demoníaca vive no corpo dela e precisa ser exorcizado à moda antiga. Numa batalha de luta por sua vida, Cristina deve decidir se quer tentar escapar do local ou se acredita na sua própria ancestralidade mexicana, e acredita na cura espiritual feita por la bruja.

A estrutura narrativa do roteiro de ‘Raízes Macabras’, escrito por Marcos Gabriel, é diferente do que estamos costumados a assistir: o longa começa com a ação já ocorrendo, com a protagonista já presa numa situação que nem sabemos como ela chegou lá – algo que causa até uma sensação de “termos perdido o filme 1”; seguindo para o segundo arco, o filme finalmente explica como a protagonista foi parar lá, quem é ela e o que tá rolando com esse tal demônio; por fim, uma vez a trama exposta ao espectador, o último arco se dedica a construir os laços ancestrais que são, em si, a resolução para o problema espiritual dos personagens.

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Os efeitos utilizados para a constituição do demônio são bem-feitinhos, embora não espetaculares, e, somados a cenas bem tensas de possessão – com direito a cuspir bolo de cabelo e sangue para todos os lados – se tornam um recurso muito bem utilizado pelo diretor Christopher Alender para ambientar seu filme de terror com um aspecto sombrio e especialmente bizarro.

O que é mais legal em ‘Raízes Macabras’ é o elemento diferencial que torna essa produção igualmente assustadora e particular: a utilização da sabedoria ancestral indígena mexicana – las brujas – como solução para o demônio. Isso significa construir um argumento contando com o alheamento e o distanciamento do espectador com relação a esse universo, e, embora tenha sido uma escolha acertada para o filme, também reflete a triste realidade das sociedades ocidentais, distantes de todas as temáticas indígenas. Apesar disso, por se tratar de uma produção estadunidense, o longa desliza aqui e ali em alguns estereótipos, seja na trilha sonora (com as três músicas hispânicas mais famosas), seja pela jornada pessoal da protagonista, que fica meio vaga e somos meio que forçados a aceitar sua superação pelo simples fato de ela ser estadunidense – algo que ela afirma em todas as suas ações desde a primeira cena.

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Críticas sociais a parte, ‘Raízes Macabras’ é uma ótima aposta de terror na Netflix, com cenas bem marcantes que podem causar algum pesadelo. Para quem curte um filminho macabro e chocante, ‘Raízes Macabras’ entrega tudo que se espera de um intenso filme de possessão demoníaca e exorcismo raiz.

 

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Janda Montenegro
Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.

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