Quando o longa ‘Os Novos Mutantes’ foi anunciado, os fãs dos X-Men ficaram animados, afinal, ganhariam mais um capítulo da franquia na versão live-action. A expectativa aumentou ainda mais quando foi anunciado o elenco, que incluía jovens atores em alta no universo nerd, como Maisie Williams (de ‘Game of Thrones’), Anya Taylor-Joy (‘O Gambito da Rainha’) e Charlie Heaton (‘Stranger Things’). Apesar do compreensível adiamento por conta da pandemia, quando o longa finalmente estreou nos cinemas, em 2020, a decepção foi geral. Bom, se você está no grupo dos que esperavam mais do que viu, fica o convite para assistir à sérieA Saída’, na Netflix, e os motivos vêm a seguir.

Sem Nome (Maria Wawreniuk) tem dezessete anos e acorda em um quarto que não reconhece. O despertador automático toca, indicando ser 7 horas da manhã, e começa a lhe informar que ela não tem memória, que sofrera um incêndio na sua casa, que seus pais morreram nesse incêndio, que tem amigos mas não se lembra quem são e outras pequenas informações. Ao sair do quarto, Sem Nome descobre que está internada em uma instalação psiquiátrica para adolescentes sem memória, e lá eles são estimulados não só a lembrarem de informações relevantes sobre suas vidas, como também a desenvolverem talentos artísticos a um nível extraordinário. Assim, ela conhece outros internos, como Szymon (Wojciech Dolatowski), Milena (Zuzanna Galewicz), Iza (Claudia Koscita), Pawel (Michal Sikorski) e o revoltado Adam (Ignacy Liss). Porém, as informações passadas pela dra. Morulska (Marta Nieradkiewicz) aos poucos vão entrando em conflito com o que Sem Nome consegue se lembrar, e a jovem passa a desconfiar de que nem tudo é o que parece ser.



Com uma protagonista estilo Eleven, ‘A Saída’ vai torcendo o intelecto do espectador em um suspense crescente e constante, que hora carrega mais no aspecto psicológico, hora surpreende com cenas de terror – que mais tarde são explicadas. De maneira semelhante ao que poderia ter sido ‘Os Jovens Mutantes’, a série polonesa supera a produção hollywoodiana, mesmo que seus personagens não tenham superpoderes: ao contrário, são adolescentes comuns com habilidades específicas normais a qualquer outro jovem, como ser bom em desenhar, em dançar, em tocar um instrumento. Os personagens da série, porém, são mais bem construídos, têm um background mais convincente e se desenvolvem melhor na trama do que no filme da antiga Fox.

Dividido em apenas seis episódios de pouco mais de quarenta e três minutos de duração cada, a primeira temporada de ‘A Saída’ tem um arco de tensão dramática bem marcado e instigante. Até mais ou menos a metade da temporada, tanto a protagonista quanto o espectador não sabem muito bem o que está acontecendo, e vamos juntos descobrindo as parcas informações sobre Sem Nome. Já no finzinho do episódio três e no quarto episódio inteiro há uma interessante reviravolta, que faz a gente até concluir que a trama estaria encerrada, sobrando a dúvida de o que a série apresentaria nos dois capítulos seguintes; então, um novo plot twist expande o suspense psicológico para um território bem mais interessante, tornando a série uma das produções mais provocadoras deste ano na Netflix, e certamente deixa o espectador querendo imediatamente a segunda temporada.

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