Em uma das primeiras exibições da aguardada première Brasil do Festival do Rio 2026, conhecemos um interessante curta-metragem capixaba que investe seus 17 minutos de projeção para apresentar a história de uma criança inserida em uma bolha religiosa, onde a punição, a devoção e a simples vontade de brincar entram em choque, nos levando a inúmeras reflexões.

Escrito e dirigido por Donna Oliveira, o curta ambienta o público no conceito do reteté, um peculiar culto pentecostal com ações peculiares como pulos e gritos, que se popularizou no Brasil décadas atrás. Esse é o plano de fundo de uma trama com recortes em dinâmicas familiares, que expõe a fé e a religião desenfreadas, onde os lapsos de consciência de uma mãe pode ser um divisor de águas.
Festival do Rio 2026: 19 curtas-metragens brasileiros para ficarmos de olho
Ambientada nos anos 1990, acompanhamos Adonai (Elisa Navarro Bertelli), uma jovem que volta e meia está na igreja pentecostal que seus pais frequentam. Hiperativa, divertida e animada, ela não segue à risca o que a igreja impõe, e seu pai começa a medicá-la para que ela se comporte melhor. Após essa situação, sua mãe (Bárbara Colen) começa a perceber que exageros estão sendo cometidos e precisa tomar uma atitude.
A pressão silenciosa é algo que está em cada conflito que o roteiro apresenta, jogando para o público provocações inteligentes, guiadas por uma protagonista com o óbvio olhar imaturo e que conquista a atenção no seus impulsos de querer ser apenas uma criança, longe de ser moldada por doutrinas religiosas. A partir desse olhar, chegamos também nos conflitos da mãe, um divisor de águas nessa história que espero que, algum dia, vocês consigam assistir.


