Crítica | Rota de Fuga 2: Hades – Saído de ‘Creed II’, Stallone vai do céu ao inferno

Crítica | Rota de Fuga 2: Hades – Saído de ‘Creed II’, Stallone vai do céu ao inferno

Nota:


Condenação Brutal… para o público

Recentemente, o próprio astro Sylvester Stallone esculhambou Rota de Fuga 2: Hades em sua rede social, após receber um comentário até educado de um fã. Sly se referiu ao longa de ação como “Beyond Awful”(algo como” além do péssimo”). Se o próprio “protagonista” disse, quem somos nós para contra-argumentar. E nem tentaremos. Porque Rota de Fuga 2 é mesmo além de qualquer defesa. Tanto que a produção estreou em terras brasileiras direto no mercado de home vídeo (em plataformas de streaming), onde já pode ser conferido – destino que teve em diversas partes do mundo, como nos EUA.

Não que o primeiro Rota de Fuga (2013) esteja no topo da lista dos filmes memoráveis do grande Stallone, pelo contrário, o longa foi apenas uma desculpa para uni-lo pela primeira vez nas telonas com o “rival” e amigo Arnold Schwarzenegger (obviamente não estamos contando as participações de Arnie na franquia Os Mercenários). E como as crianças da minha geração queriam ter visto este encontro de titãs na década de 1980! Apesar de termos ganhado só agora, a ideia realmente parecia saída de tal época – com uma trama de prisão na qual os brucutus precisavam escapar de uma fortaleza meio futurística, mas totalmente sem saída.

Sendo a graça de Rota de Fuga formar a dupla Stallone e Schwarzenegger, o que é confeccionado para a sequência (que ninguém esperava ou sequer havia pedido)? Tirar Arnold da equação, é claro! Assim, este se transforma unicamente num veículo de Stallone. Ou quase isso. Lembra no primeiro parágrafo quando citei “protagonista”, assim mesmo entre aspas. Pois é. Acontece que até mesmo o chamariz de se ter Stallone num filme de ação se mostra um engodo nesta continuação, já que o astro se torna um coadjuvante de luxo. O verdadeiro protagonista aqui é Huang Xiaoming, astro chinês das artes marciais, que interpreta Shu, novo braço direito e pupilo do personagem de Stallone. E você acertou se com isso concluiu que agora Rota de Fuga se tornou um filme de lutas ao invés de ação. Coisa bem para o mercado de vídeo mesmo.

Para tirar um pouco o peso de cima de Sly e contrabalancear as coisas, entra em cena um dos novos nomes da ação atual: Dave Bautista (Guardiões da Galáxia e Refém do Jogo). A participação do gigante é ainda mais vergonhosa e vemos na tela sua única motivação: o contracheque ao fim do dia. Aliás, todos os atores aqui, quando não são extremamente verdes para o cinema, estão mais do que desmotivados, ligados no automático. Esta é a atuação mais mecânica da carreira de Stallone – que nunca soa presente, o tempo todo parecendo estar com a cabeça nas continuações de Rambo, Creed ou Mercenários.

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Na trama, o personagem de Stallone agora trabalha com uma equipe de jovens guerrilheiros – muito semelhante ao argumento de Os Mercenários 3 (2014). Quando um trabalho dá errado e uma jovem morre, ele demite o causador, Kimbral (Wes Chatham). Um tempo depois, e os membros de sua equipe são capturados um a um, incluindo ele mesmo, e levados a uma prisão ainda mais tecnológica. E em tal lugar de cárcere é que surgem os maiores problemas desta aventura. Primeiro, tudo o que eles parecem fazer no local é brigar. Segundo, os limites do aceitável de uma ficção realista são completamente ultrapassados, quando temos adicionados à trama robôs e inclusive raios de diferentes cores para punir os detentos – seria mais uma fantasia do que ficção. E terceiro, você ganha um doce se descobrir quem está por trás desta prisão. Sim, é tão óbvio assim.

O que chama atenção é que aqui o roteiro foi assinado pelo mesmo Miles Chapman do filme original. Tudo bem, mais uma vez citando que Rota de Fuga não é uma obra-prima, mas a verdade é que o cineasta Mikael Hafstrom (1408 e O Ritual) conseguiu domar melhor este “touro doido” dando algum sentido à coisa. Já Steven C. Miller (Natal Sangrento e Assalto ao Poder) tem grande dificuldade em entregar uma obra coesa e evitar os buracos que transformam o filme numa montanha-russa de coerência. O tom está em todo lugar, fazendo Rota de Fuga 2 não decidir se quer ser um filme de ação (a melhor cena é entre Sly e Bautista num bar), um filme de artes marciais ou uma fantasia de ficção com robôs e raios verde.

E se prepare, pois vem aí a terceira parte, rodada de forma simultânea com este segundo (que deixa uma porta escancarada para uma continuação). Stallone, queremos é saber cadê a sequência de Cobra (1986) e Os Mercenários. Esqueça Rota de Fuga!

Ps. O filme se encontra atualmente como o número 97 dentre os piores de todos os tempos na opinião do grande público no Imdb.



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