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Crítica | Screamboat: Terror a Bordo – Mickey dos anos 1920 Toca o TERROR em Divertido e Criativo Filme


Você já viu esse desenho alguma vez na sua vida. Trata-se de uma das primeiras produções animadas do que hoje entendemos como Studios Disney: nesta produção em preto e branco, de pouco mais de sete minutos, vemos o que mais tarde seria conhecido como Mickey Mouse, pilotando um barco a vapor e assobiando alegremente. Ainda que esta seja a cena mais icônica, o resto da história mostra o famoso ratinho fazendo algumas crueldades (ele puxa o rabo de porquinhos filhotes, esganiça a garganta de uma ave, bate num papagaio, etc), e, desde que este personagem e esta produção caíram em domínio público, em janeiro de 2024, o mundo ficou de olho em reproduzir a ideia desse personagem, e uma das melhores ideias oriundas dessa liberação chega aos cinemas essa semana, o terrorScreamboat: Terror a Bordo’.

Selena (Allison Pittel) trabalha como bartender e está correndo em direção à balsa noturna que leva a Staten Island, em Nova York, fugindo de um grupo de moças que não param de beber – e que também sobem a bordo da balsa. Felizmente, Selena pede ajuda de Pete (Jesse Posey, de ‘Selena: A Série’), um prestativo funcionário. Com todos a bordo – e contrariando o pedido de Mike (Tyler Posey, de ‘Teen Wolf’), o operador de rádio -, a balsa atravessa as gélidas águas e mergulha numa neblina sem fim, em direção à ilha de Manhattan. Porém, a curta jornada se torna um terrível pesadelo quando uma criatura – um ratinho chamado Willie (David Howard Thornton, o Art da franquia ‘Terrifier’) – começa a tocar o terror a bordo, matando um a um dos passageiros.



Com os mesmos produtores de ‘Terrifier 2’ e ‘Terrifier 3’, ‘Screamboat: Terror a Bordo’ é um prato cheio para quem curte terror estilo gore ou slasher ou simplesmente para quem curte filme de terror que além de fazer você se contorcer com o explícito da coisa toda, também arranca boas gargalhadas e diverte. Isso porque simplesmente não dá para levar a sério a figura desse assassino – um rato de meio metro de altura, todo cinza, com um short que parece uma fralda e com uma força e uma resistência descomunais. Sem contar que ele ainda faz aquele sonzinho típico da risada do rato famoso, o que só reforça a diversão (e o ridículo de tudo).

Uma vez que os fãs das produções do Walt adoram easter eggs e referências, ‘Screamboat: Terror a Bordo’ está cheinho, o que se transforma em uma diversão a parte. (Alerta de Spoilers) Além do ratinho a bordo, ainda temos as princesas como um grupo de pinguças, o Peter Pan encostado, um monte de frases que fazem menções à filmes e canções famosas da empresa de Walt, entre outros. E ainda deixam dois pós-créditos para animar a galera em sonhar pelo início de uma franquia.

Sem nenhum compromisso com a seriedade e entregando boas mortes exageradamente teatrais e ridículas, ‘Screamboat: Terror a Bordo’ é puro suco do terror anos 90 com personagens carismáticos enfrentando uma situação zoada demais. E ainda temos Amy Schumacher (de ‘O Malvado – O Horror no Natal’, uma releitura de terror do Grinch) somando à turma da sobrevivência em alto mar. ‘Screamboat: Terror a Bordo’ é um filme para ser visto com a galera nesse feriado.

Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.
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