Crítica | Se Joga, Charlie: Idris Elba vai de DJ à babá em comédia despretensiosa

Crítica | Se Joga, Charlie: Idris Elba vai de DJ à babá em comédia despretensiosa

Nota:


Idris Elba é uma figura carimbada em Hollywood. Prolífero, ele vai do universo dos quadrinhos à televisão, em projetos que normalmente contam com seu envolvimento como produtor. E após estrelar o primeiro longa original da Netflix, Beasts of No Nation, ele retorna para os braços do streaming, em uma série de TV que resgata sua carreira paralela de DJ e faz uma mistura com a clássica sitcom dos anos 80/90, Who’s The Boss. Em Se Joga, Charlie, Elba tenta fazer as vezes da comédia como um homão caído, que vai contar com a ajuda de uma pestinha para resgatar seus tempos de glória.

Para início de conversa, isso aqui não é uma obra-prima. E Se Joga, Charlie não é a primeira ideia que nos viria à mente quando citamos o nome de Idris Elba. Talentoso e carismático como só ele é - não à toa que exista um apelo voraz para que ele seja o próximo James Bond -, estamos acostumados com a densidade de personagens como vemos em Luther. Contrariando nossas expectativas, ele vai na direção oposta de seus principais trabalhos e se prova tão valoroso como de costume, ainda que o material de trabalho não seja lá essas coisas. Com um humor que extrai risos aleatórios, a partir de um roteiro que não tem nada de espetacular, a comédia transita entre a sitcom e a comédia dramática, trazendo um Idris que permanece firme forte em seu carisma, contracenando com leveza e graça ao lado da pequena prodígio Frankie Hervey.

Com apenas oito episódios de pouco mais de 20 minutos de duração cada, a nova produção original da Netflix vale a nossa atenção por seu protagonista. Tempo de tela com Idris Elba nunca é demais e é por isso que devorar uma temporada inteira não se torna um fardo. E sua dinâmica com a personagem mirim, Gabs, é divertida de assistir, ainda que a trama não tenha nada de especial. Com coadjuvantes que orbitam em torno dos dois, facilmente nos apegamos a eles, por saber que permanecerão como a cereja do bolo de uma série exageradamente simplista e rasa, com um roteiro que falha no humor e peca no drama - embora tenha o seu ponto alto no último capítulo.


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Mas com carisma de sobra e acontecimentos rápidos, Se Joga, Charlie se torna aquele programão de domingo à tarde, quando a grade de filmes da Netflix não te apetece e você não se sente muito na atmosfera de curtir umas reprises de séries amadas como Friends (por favor, entenda que isso é apenas uma menção, não comparação). Passando diante dos nossos olhos num piscar de olhos, a produção é bem dirigida e não vai exigir muito do público, por manter uma leveza maior do que uma profundidade dramática. Além disso, é divertido ver como Idris Elba se sai como DJ. Dividindo sua carreira com a música, o artista multifuncional realmente tem o perfil para o estilo e nos oferece uma pequena prévia do que a galera hipster vai poder conferir no Coachella 2019, quando o músico se apresentar.

Criada pelo próprio Idris Elba e por Gary Reich, a série ainda tem como um de seus pontos fortes o relacionamento do ator com a própria música. Como alguém que parou nos anos 90, ele digladia com as novas tecnologias, é adepto ao modelo oldschool de fazer música e tem que reaprender a arte da criação artística em um contexto absolutamente distinto daquele que marca o auge da sua carreira. E o humor mais natural reside justamente ali, principalmente ao nos lembrarmos que o intérprete do protagonista está com 46 anos e se veste como se tivesse 20, com uma coleção de moletons de dar inveja ao Will de Um Maluco No Pedaço. Mas despretensiosa e sem qualquer ambição de se tornar sua próxima comédia favorita, Se Joga, Charlie é um suave lembrete de quão maravilhoso é ver o talento de Elba em tela. Pode mandar mais que tá pouco.


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