Ryan Murphy é um escritor e produtor de cinema, vencedor de vários Globos de Ouro e principal nome por trás de séries famosas que conquistaram o coração de fãs no mundo inteiro, como ‘Glee’ e ‘Pose’. Já a Blumhouse é mais conhecida pelos cinéfilos por ser a principal produtora de filmes de terror de baixo orçamento, muitos dos quais conquistaram uma legião de fãs, como ‘Corra!’ e ‘O Homem Invisível’. Portanto, é no mínimo surpreendente ver estes dois nomes associados a um documentário na Netflix – e, mais ainda, em um filme documental que aborda a história real de um casal de lésbicas.

Apesar desse espanto nos bastidores, a história de Pat Henschel e Terry Donahue uma dessas histórias que ser contada ao público.


Com oitenta e dois minutos de duração, o filme documental acompanha o casal por cerca de cinco anos, desde a ideia inicial delas em se mudarem de sua casa em Illinois, Chicago (onde moraram por mais de vinte anos), passando pelas dificuldades e discussões acerca da possível mudança (mudanças causam estresse, é preciso abrir mão de tudo que se conhece e mergulhar em direção ao desconhecido, etc) até o grande evento ao final do longa. Enquanto essa linha narrativa é construída, o longa vai intercalando a história pessoal de cada uma das personagens, pincelando-as com o envolvimento amoroso delas.

Cheguei a mencionar aqui que Pat e Terry são duas senhorinhas de quase 90 anos e que estão juntas como um casal há mais de 65 anos? Mais ainda: que as duas só se assumiram para a família como um casal recentemente – ou seja, até pouco tempo atrás Terry e Pat eram vistas como duas boas amigas que viviam juntas porque ficaram solteironas na vida. São 65 anos vivendo uma mentira, por medo da reação das pessoas a quem amam.

Aproveite para assistir:

O roteiro de Chris Bolan, Alexa L. Fogel e Brendan Mason apresenta suas protagonistas de maneira muito sensível e humana, e isso favorece a empatia do espectador. Ao intercalar os relatos do passado de cada uma delas, o roteiro faz um paralelo para retratar a história da homofobia nos Estados Unidos e a luta pela sobrevivência daqueles a quem o direito de amar era negado. Com um bom argumento, o trio de escritores construiu uma narração emocionante para uma história igualmente incrível, embora lá pelo meio do segundo ato o foco se desvie um pouco da trama.

A edição do documentário chama a atenção, ao recriar em movimento imagens fotográficas de décadas atrás e ao recuperar vídeos gravados há mais de meio século e restaurá-los em cores para mostrá-los em ‘Secreto e Proibido’. Entra aí também o competente trabalho de Chris Bolan como diretor, que contou uma história de amor tal como ela é – uma história de amor –, sem fetichizá-la nem caricaturalizá-la.

Secreto e Proibido’ é um documentário lindo sobre uma história de amor de duas mulheres cujas vozes e seus direitos foram negados por tempo demais, e agora estão  disponíveis mundialmente através de um filme.


Não deixe de assistir:

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