Crítica | Segredos Oficiais expõe uma verdade que precisa vir à tona

Crítica | Segredos Oficiais expõe uma verdade que precisa vir à tona

Nota:


Quanto mais filmes, livros e histórias surgem sobre a guerra do Iraque, mais nós temos a certeza de que esta foi talvez a mais forjada de todas as guerras iniciadas até hoje. E este ‘Segredos Oficiais’ traz mais um capítulo dessa sórdida conspiração da alta cúpula da aliança Estados Unidos-Inglaterra.

Em 2003, pouco tempo depois dos atentados às Torres Gêmeas, os Estados Unidos estão loucos para arranjar um culpado para o aconteceu, e a bola da vez é o Iraque. Para tal, George Bush buscou uma estratégia escusa: solicitar ao sistema de inteligência da Grã-Bretanha que espionasse países com pouca força na ONU (Angola, Camarões, Chile, Guiné) com o intuito de coagir esses países a votarem a favor da invasão ao Iraque, baseando-se no fato fictício de que o Iraque possuía armas de destruição em massa e, portanto, era uma ameaça à paz do planeta e Saddam Hussein precisava ser contido. Ao interceptar esta mensagem criptografada em seu sistema de segurança, Katherine Gun (Keira Knightley) toma a decisão de divulgar o conteúdo à imprensa, por assim achar que estaria salvando milhares de vidas, ao tentar impedir o início da guerra ao Iraque.

Hoje sabemos o que aconteceu.

Baseado em fatos reais (inclusive aparece a imagem da verdadeira Katherine ao final do filme), fica complicado avaliar o tamanho da ingenuidade dessa moça ao arriscar sua vida em prol de uma concepção de ideal – que, por sua vez, vai de encontro ao que os britânicos chamam de “traição à coroa”. O que dá, sim, para avaliar é a atuação de Keira Knightley, outrora brilhante em outros filmes, mas que aqui não alcança a tensão necessária para envolver o espectador na trama. O mesmo pode ser dito do resto do elenco, que conta com nomes de peso como Ralph Fiennes, Matt Smith e Rhys Ifans. Faltou emoção.

Aproveite para assistir:


Talvez o peso maior do que a verdade nesse longa seja o ritmo. O filme é extremamente lento (embora a tal revelação da mensagem secreta ocorra já na primeira cena), e isso gera sonolência no espectador. Um ritmo britânico, certinho, quadrado, sem grandes reviravoltas, acompanhando a cartilha. Isso não torna o filme ruim – ao contrário, é um bom filme –, mas não espere uma trama de espionagem cujo suspense vá prender o seu fôlego. Nesse sentido, ‘Segredos Oficiais’ estaria mais próximo de um drama político.

Considerando o baixo orçamento de US$ 2 milhões de dólares, o diretor Gavin Hood não terá problemas em fazer sua história circular – e, ao que parece, a intenção é mais fazer a verdade vir à tona do que gerar lucro com bilheteria. Pois ‘Segredos Oficiais’ é desses filmes que devem ser vistos, sim, e em diálogo com outras produções atuais (‘Snowden’, ‘The Post’ e ‘A Intérprete’, para citar alguns), para que o espectador tenha plena clareza do quão sórdida é a manipulação do jogo de poder que os países fazem em prol de seus interesses.



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