Crítica | Sem Rastros – Astro de ‘Crepúsculo’ dirige thriller com final surpreendente

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CríticasCrítica | Sem Rastros – Astro de ‘Crepúsculo’ dirige thriller com final surpreendente

O caminho natural para muitos atores é que depois de um determinado tempo atuando nas frentes da câmera eles passem a se interessar por conduzir a câmera também. São inúmeros os exemplos que podemos citar, tanto em Hollywood quanto no Brasil, e o mesmo ocorre agora com Peter Facinelli, o famoso Dr. Carlisle Cullen da saga ‘Crepúsculo’.

Em ‘Sem Rastros’ conhecemos um casal, Paul (Thomas Jane) e Wendy (Anne Heche), que está indo acampar no feriadão com sua filha, Taylor (Kk Heim), perto de um lago. Assim que a família chega, Wendy vai até a recepção acertar o pagamento, enquanto Paul vai estabilizando o trailer. Enquanto coloca todos os utensílios para fora, Paul se distrai com Miranda (Aleksei Archer), a vizinha bonitona que também está acampando no local. Porém, quando a conversa acaba e Paul e Wendy chamam por sua filha, eles não a encontram. Começa aí a agonia da família para correr contra o tempo e solucionar o desaparecimento de Taylor.

Escrito e dirigido pelo próprio Peter Facinelli – que, aliás, também faz uma ponta no filme, como o policial assistente Rakes –, ‘Sem Rastros’ é um thriller psicológico dramático com uma boa ideia, mas cuja execução é meio insegura. Em menos de dez minutos de longa todo o plot do enredo já está apresentado, fazendo com que o espectador até se pergunte o que vai acontecer até o final, já que são quase duas horas de filme.

O filme basicamente se desenrola através das paranoias, desconfianças e angústias do casal protagonista, cujas sensações vão evoluindo com o passar dos dias do desaparecimento da criança. De modo gradativo e didático, eles vão atravessando os estágios do luto: negação, raiva, culpa, paranoia, etc. Embora a trama instigue a curiosidade, o elenco não entrega atuações muito convincentes de quem está passando pela situação em que estão. Até que tudo se encaixe no fim, algumas cenas e atitudes parecem gratuitas, desconexas, faltando um propósito.

Na verdade, o que faltou mesmo foi um pulso mais firme – e experiência – de Peter Facinelli como diretor, até mesmo para construir as cenas de tensão e de susto. Nenhuma assusta de fato porque não são bem trabalhadas; se o filme entrasse de cabeça dos personagens, talvez a gente engajasse no suspense. Não basta inserir um monte de coisinhas para distrair o espectador para todo tipo de possibilidade: é preciso justificar esse uso, para que a gente não se sinta enganado.

Disponível para aluguel sob demanda nas plataformas Looke, Now e afins, ‘Sem Rastros’ é um thriller irregular, mas com um final surpreendente maneiro. Entretém, e ainda coloca Peter Facinelli no radar de diretores de suspense com potencial para ficarmos de olho.

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Janda Montenegro
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.

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