Crítica | Shazam! - A DC volta a sorrir com filme que é diversão pura

Crítica | Shazam! - A DC volta a sorrir com filme que é diversão pura

Nota:

Na última semana fui surpreendido ao ver que Shazam!, novo filme do Universo Estendido da DC, ganharia algumas sessões de pré-estreia aqui no Canadá, no sábado, dia 23, dia em que o embargo para as críticas terminou.

Confesso que foi essa antecipação tanto das críticas, quanto para a liberação das opiniões em redes sociais (com quase um mês antes da estreia) que me empolgaram para assistir ao filme. Corri para comprar o ingresso e por pouco não fico sem. As salas lotaram.

E o filme não decepcionou. Todo aquele clima colorido e alto astral que vimos no material promocional e que era prometido nas entrevistas do elenco está lá. Junto, uma das melhores (senão a melhor) escolha de casting dos filmes recentes da DC. A alma do filme tem nome e sobrenome: Zachary Levi. O ator transborda carisma ao dar vida ao menino de 14 anos em um corpo musculoso e com superpoderes. Carisma é a palavra que melhor define a relação entre os personagens de Shazam!. Seja entre Billy Batson (Asher Angel) e seu irmão adotivo Freddy (Jack Dylan Grazer, que brilha em todas as suas cenas), seja entre as crianças da nova família, mas principalmente entre o herói e Freddy. A química de Levi e Grazer é o grande achado do filme. O momento do primeiro encontro dos dois já vale o ingresso.

Aproveite para assistir:



A trama do filme é bem simples com Batson sendo a última esperança do mago Shazam para deter a ameaça do vilão Dr. Sivana (Mark Strong) de libertar forças malignas que outrora trouxeram caos ao nosso mundo. É um filme de origem e descoberta de poderes e responsabilidades e um dos grandes acertos é a escala do filme. Não estamos lidando com uma invasão alienígena ou uma luta entre seres abissais aqui. É tudo menor, mais contido. As cenas de ação dão espaço para que Levi brilhe, principalmente.

Se os produtores prometeram algo mais próximo de filmes como ‘Quero ser Grande’, essa vibe oitentista está no centro da produção. Não conseguia olhar para as criaturas que acompanham Dr. Sivana e não lembrar do Geleia e do Zuul de ‘Os Caça-Fantasmas’, assim como todas as cenas com Djimon Hounsou, que trazem a breguice típica de fantasias como ‘Willow’ e ‘A Lenda’.

E se o carisma carrega ‘Shazam!’ o tempo todo, as questões dramáticas envolvendo a verdadeira família de Billy quebram o ritmo do filme para justificar o seu relacionamento com os Vásquez. A direção de David F. Sandberg não tem nada de inovadora, o que contrasta muito quando olhamos o que James Wan fez com ‘Aquaman’. Mas isso não chega a comprometer. Talvez o elo mais fraco do filme seja o vilão, que tem uma motivação rasa. Depois de uma penca de filmes de quadrinhos e alguns excelentes antagonistas, é complicado levar a sério um cara que quer “apenas” mais poder.

Shazam!’ é diversão pura, honesta e legítima. É cinema pipoca na sua essência. Faz o expectador se pegar com um sorriso no rosto a todo o momento e faz vibrar em pelo menos duas cenas excelentes.

Além disso, se havia aquela expectativa de que a DC iria jogar pelo ralo as referências de tudo o que já fez até agora, ela acaba em menos de 10 minutos de filme. Freddy é uma metralhadora no quesito. São referências saídas da forma mais inocente: nas roupas das crianças, nos brinquedos, no colecionismo e em tudo aquilo que quem ama super-heróis ama fazer. A DC acerta demais com Shazam!. Já deu para ver na saída do cinema: um menino e uma menina correndo para sair da sala pulando e gritando: SHAZAM! E que vontade de gritar junto.

Ah, duas cenas pós-créditos (naquele esquema, uma no meio e uma no fim) bem legais.


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