domingo , 30 março , 2025

Crítica | Shiva Baby: Comédia com Dianna Agron, de Glee, é constrangedora e hilária


Filme assistido durante o Festival de Toronto 2020

Tradições singulares e fofocas e conversas intimidadoras que permeiam todo um ambiente que, ainda que seja espaçoso, nunca pareceu tão claustrofóbico e abafado. As reuniões de família são como pequenos e desconfortáveis universos, onde nada e nem ninguém está absolutamente a salvo. E em Shiva Baby, todo o constrangimento natural de um velório ganha ares ainda mais peculiares e tragicômicos, quando uma pequena e expressiva comunidade judaica se reúne em meio à morte, encontros, desencontros, vidas amorosas controversas e um bebê indesejável – que promete transformar o que já era inconveniente, em um cômico pesadelo familiar.



shivababy 03

Emma Seligman já tinha uma boa história em mãos para contar, quando apresentou Shiva Baby como parte do programa de curtas-metragens do Festival de Toronto 2019. Na ocasião, o pequeno conto sobre os dissabores das caóticas reuniões familiares fez sucesso e seu impacto foi tão significativo, que sua trama se estendeu e chegou na excepcional edição de 2020 como uma comédia com ares dramáticos, que faz da tragédia o epicentro de um sucessão de hilárias pequenas confusões familiares.

Aqui, Rachel Sennott vive uma jovem sem rumo que – em busca de dinheiro fácil – decide se transformar em uma sugar baby. Como alguém que leva uma vida dupla, entre sua relação amorosa regada de luxo e presentes e sua dinâmica familiar com seus pais conservadores, a protagonista em si não possui uma identidade própria. Aquém à sua própria vida, ela navega como uma pessoa de pouca personalidade, que verá sua fachada cair por terra ao se deparar com o seu sugar daddy no mesmo shiva (uma celebração judaica semelhante ao velório) em que ela e toda sua família estão presentes. Um prato cheio para encontros desconfortáveis, o momento, que deveria ser solene, se transforma em um enorme e caótico efeito dominó.


Shiva Baby HERO

Com uma direção simples, que centraliza suas tomadas na linguagem corporal dos atores e na dinâmica entre os personagens, Shiva Baby é uma comédia clássica da vida privada, que cresce ainda mais ao trazer o regionalismo da cultura judaica como instrumento fundamental para a sua construção narrativa. Quebrando um pouco o molde deste subgênero cômico, Seligman consegue entregar uma produção original que embala a audiência em um humor constrangedor delicioso. Entregando anedotas particulares a cada nova cena, a produção não perde o seu ritmo e é capaz de se sustentar do começo ao fim, proporcionando à audiência uma experiência deliciosamente engraçada e autêntica.

Trazendo a desconhecida Rachel Sennott ao lado de Dianna Agron, popular por ter feito parte da série Glee, a comédia ao estilo vergonha alheia é um deleite para o público, inteligente em seus diálogos e desencontros e se desenvolve com leveza, em uma trama que funciona ao ponto de fixar os olhos do público sem pestanejar. Com seus aspectos técnicos bem simples e de pouco destaque, Shiva Baby não caminha – e tão pouco almeja caminhar – em direção ao formato conceitual. Focando em sua principal essência, que é o fazer rir a partir das pitorescas relações familiares, a estreia na direção de longas metragens de Emma Seligman é uma das comédias inconvenientes mais saborosas de um amargo 2020, que nunca precisou tanto de um filme como esse.


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shivababy 03

Emma Seligman já tinha uma boa história em mãos para contar, quando apresentou Shiva Baby como parte do programa de curtas-metragens do Festival de Toronto 2019. Na ocasião, o pequeno conto sobre os dissabores das caóticas reuniões familiares fez sucesso e seu impacto foi tão significativo, que sua trama se estendeu e chegou na excepcional edição de 2020 como uma comédia com ares dramáticos, que faz da tragédia o epicentro de um sucessão de hilárias pequenas confusões familiares.

Aqui, Rachel Sennott vive uma jovem sem rumo que – em busca de dinheiro fácil – decide se transformar em uma sugar baby. Como alguém que leva uma vida dupla, entre sua relação amorosa regada de luxo e presentes e sua dinâmica familiar com seus pais conservadores, a protagonista em si não possui uma identidade própria. Aquém à sua própria vida, ela navega como uma pessoa de pouca personalidade, que verá sua fachada cair por terra ao se deparar com o seu sugar daddy no mesmo shiva (uma celebração judaica semelhante ao velório) em que ela e toda sua família estão presentes. Um prato cheio para encontros desconfortáveis, o momento, que deveria ser solene, se transforma em um enorme e caótico efeito dominó.

Shiva Baby HERO

Com uma direção simples, que centraliza suas tomadas na linguagem corporal dos atores e na dinâmica entre os personagens, Shiva Baby é uma comédia clássica da vida privada, que cresce ainda mais ao trazer o regionalismo da cultura judaica como instrumento fundamental para a sua construção narrativa. Quebrando um pouco o molde deste subgênero cômico, Seligman consegue entregar uma produção original que embala a audiência em um humor constrangedor delicioso. Entregando anedotas particulares a cada nova cena, a produção não perde o seu ritmo e é capaz de se sustentar do começo ao fim, proporcionando à audiência uma experiência deliciosamente engraçada e autêntica.

Trazendo a desconhecida Rachel Sennott ao lado de Dianna Agron, popular por ter feito parte da série Glee, a comédia ao estilo vergonha alheia é um deleite para o público, inteligente em seus diálogos e desencontros e se desenvolve com leveza, em uma trama que funciona ao ponto de fixar os olhos do público sem pestanejar. Com seus aspectos técnicos bem simples e de pouco destaque, Shiva Baby não caminha – e tão pouco almeja caminhar – em direção ao formato conceitual. Focando em sua principal essência, que é o fazer rir a partir das pitorescas relações familiares, a estreia na direção de longas metragens de Emma Seligman é uma das comédias inconvenientes mais saborosas de um amargo 2020, que nunca precisou tanto de um filme como esse.

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