Um assunto que ganha cada vez mais importância nas questões geopolíticas é a crise migratória. Muito comentada e registrada no cenário europeu, aqui na Ámerica do Sul também há um recorte importante para reflexões. Exatamente essa é a proposta do documentário Si Vas para Chile. Dirigido por Amilcar Infante e Sebastián González Méndez, a obra, selecionada para a mostra competitiva horizonte do CineBH 2026, nos guia por um recorte sociológico dilacerante, mostrando os elos da corrente que unem o embate cultural e a corrupção moral, desembocando em questões sobre direitos humanos.
A construção fílmica, pra criar potência nos importantes relatos que se misturam em ilustrações panorâmicas (significando extensão) e de depoimentos de imigrantes, muitos deles venezuelanos, nômades de suas próprias identidades e perdidos na esperança de oportunidades, utiliza um mix de imagens e movimentos que formam uma ilustração multifacetada dos evidentes desafios de gestão, expondo o radicalismo e a xenofobia.
Pelos acampamentos escanteados de imigrantes, principalmente no norte chileno, ou mesmo acompanhando pessoas andarilhas em busca de um lugar tranquilo para dar um novo start em suas vidas, percorrendo o Deserto do Atacama, vemos registros alarmantes de violência, abandono familiar e pessoas reféns de falta de políticas com compaixão, no meio de um jogo político que revela o avanço de uma direita extrema. A cada captura, o choque com o que vemos é de cortar o coração, nos fazendo pensar, a todo instante, no momento atual de um planeta em confronto com as polarizações.

Circulando em torno do tema sem respiros, a obra tem uma passagem emblemática e repleta de significados: uma bandeira chilena rasgada no alto de uma humilde moradia simboliza a destruição moral de um país dividido em torno de um mesmo tema, uma situação que outros países do mundo também atravessam. A falta de soluções diante de tudo que é mostrado é a grande lição que esse filme deixa e, ao sugerir ao público pensar sobre a crise migratória, busca fortalecer uma corrente, cada vez mais corroída, de amor ao próximo.

