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Crítica | Sintonizados no Amor – Chuva de Clichês dá o Tom da Comédia Romântica Natalina da Netflix


Esse ano a Netflix está trazendo aos espectadores um verdadeiro intensivão de filmes e séries natalinas, para fã nenhum botar defeito. Dentre as novas opções, chega essa semana à plataforma a comédia romântica ‘Sintonizados no Amor’, um filme totalmente previsível, porém adorável.

Maggie Quinn (Natalie Hall) e Jack Russo (Evan Williams) são melhores amigos desde a época da escola. Os dois trabalham juntos em um programa de rádio em Chicago, no qual comentam as notícias da cidade e dão conselhos amorosos aos ouvintes. O problema é que tanto Jack quanto Maggie não conseguem eles mesmos manter um relacionamento duradouro, ao ponto de sequer conseguirem apresentar seus parceiros aos seus pais – que, juntos, gerenciam um bar de jazz chamado Magnolia. Porém, uma irrecusável proposta de fazer o programa de rádio ganhar um alcance nacional leva os amigos a terem a brilhante ideia de fingirem ser um casal para, na festa de ano novo, transmitirem um programa ao vivo onde se beijariam e, com isso, selariam a parceria com a nova produtora de rádio. O que eles não esperavam é que esse plano inocente fosse abalar a sólida amizade entre eles.



A grande pergunta em ‘Sintonizados no Amor’ é: será mesmo que eles não esperavam que esse plano fosse abalar a amizade? Quer dizer, já nos primeiros minutos do filme o espectador facilmente consegue adivinhar tudo que vai encontrar na trama. Também, pudera: o roteiro de Carley Smale é completamente previsível e recheado com os clichês mais lugar-comum das romcoms.

Porém, ainda assim sobra um espacinho para algumas surpresas – mesmo que isso não seja exatamente um elogio. É que o roteiro, em sua previsibilidade, encontra oportunidades para lançar elementos na trama sem terem sido construídos e/ou terem uma relação direta com o que está acontecendo, vindo a fazer algum sentido várias cenas depois, e de uma maneira bem forçada.

Exemplo disso, é a cena em que estão Maggie e Amanda (Victoria Maria) conversando e do nada Amanda fala que não confia muito em Jack (mesmo sendo o melhor amigo de Maggie há anos) porque ela ainda não o perdoou por ter deixado Maggie de lado no dia do baile da escola, indo para a festa com outra menina. Tipo, oi? O que você tem a ver com perdoar essa história que nem é sua? Esse comentário fica tão completamente solto no momento em que acontece (porque o diálogo não é bem construído) que só nos resta imaginar que a tal garota do baile vá aparecer na história em algum momento – e aparece, também do nada, como uma solução inventada do enredo.

Apesar da fragilidade do roteiro, ‘Sintonizados no Amor’ é uma comédia romântica gostosinha, com muita neve, uma relação entre amigos bastante genuína e que consegue engajar o espectador. É um filme de Natal adorável e recheado de açúcar.

Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.
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