Crítica | Sorria – TERROR com Origem no Brasil se torna FENÔMENO de bilheterias

Todo fã de terror já sabe que quando o calendário vai se aproximando para o final do ano, tanto os cinemas quanto os streamings, mais recentemente, são inundados por produções do gênero favorito, afinal, outubro é o mês do Halloween – e, por isso, filmes e séries que cumprem esse requisito começam a pipocar desde o fim de setembro até o início de novembro. E para começar bem a temporada de 2022, o longa ‘Sorria’ se transformou em um fenômeno de bilheterias.

O terror chegou à casa dos R$ 10 milhões em bilheteria nacional e foi assistido por mais de 600 mil pessoas, em duas semanas de exibição nas salas de cinema de todo o país. O Brasil se consagrou como um dos principais mercados para o longa, ficando atrás apenas de Reino Unido, México, Alemanha, França, Austrália e Espanha. Mundialmente, a bilheteria do filme excedeu o valor de US100 milhões.

Rose Cotter (Sosie Bacon) trabalha como terapeuta em um importante hospital, atendendo a pacientes com distúrbios psiquiátricos, surtos psicóticos, transtornos, etc. Sua rotina segue normalmente até o dia em que a jovem Laura (Caitlin Stasey) é levada ao hospital por conta de um surto pós-traumático, depois que seu professor se suicidou na sua frente. Rose sabe lidar com esse tipo de situação, porém Laura insiste que não tem nenhum transtorno, e que na verdade o que está acontecendo é que uma espécie de entidade ou espírito a está perseguindo, ora transformando-se em pessoas que ela conhece, ora sendo um completo desconhecido, apossando-se do corpo das pessoas, sempre com um sorriso maligno no rosto. Só que no meio da consulta Laura começa a gritar e acaba se matando na frente de Rose. Apesar do choque, a terapeuta acredita que conseguirá seguir adiante com sua vida, entretanto, aos poucos vai ficando bastante evidente que o que quer que estivesse perseguindo sua paciente anteriormente, agora mantém um interesse focado na vida de Rose.

Com pouco menos de duas horas de duração, ‘Sorria’ é uma produção que parece ter dedicado todos os seus esforços no primeiro arco, perdendo um pouco o fôlego à medida que se desenrola. As primeiras cenas demonstram o quanto a câmera holandesa (quando o ângulo da cena vira um pouco de lado ou até mesmo inverte e faz um 180o ou 360o) é importante para o diretor Parker Finn, que não se intimida em iniciar seu filme fazendo bastante uso dessa técnica. Também os efeitos especiais se concentram nessa parte, voltando a reaparecer apenas já no finzinho, o que demonstra um (des)controle da verba da produção – e, ao mesmo tempo, evidencia que se baseará primordialmente na atuação de seu elenco, que não decepciona.

No quesito terror, ‘Sorria’ atende às expectativas. A história vai se construindo previsivelmente, mas de maneira sólida de modo a corroborar sua proposta sem apelar para explicações infundadas. Ainda que o roteiro se livre de elementos sem dar explicações – tipo o noivo da protagonista, vivido por Jessie T. Usher, o A-Train/Trem Bala de ‘The Boys‘ – o que interessa mesmo é se o medo funciona: e sim, funciona. O terror é bem elaborado, com o suspense crescente conforme a personagem vai descobrindo a verdade e uma história que prende a atenção por sua qualidade.

Com um bocado de jump scares e uma história que se origina no Brasil (a primeira morte do sorriso maligno teria sido aqui), ‘Sorria’ é puro entretenimento para os fãs de terror e suspense, abrindo bem o mês mais trevoso do nosso calendário cinéfilo.

Notícias

Segredos vêm à tona no primeiro clipe de ‘The Storm’, nova COMÉDIA sueca da Netflix

A Netflix revelou o primeiro clipe oficial de 'The Storm', seu...

Um dos maiores nomes da dança brasileira, Thiago Soares retorna ao Rio com ‘Carmem’

Um dos artistas brasileiros mais celebrados da dança internacional,...

Olivia Rodrigo lança a inédita “serena joy”, inspirada em ‘The Handmaid’s Tale’; Ouça!

A vencedora do Grammy Olivia Rodrigo fez seu tão aguardado retorno...

SINISTRO! Confira o trailer do novo TERROR do diretor de ‘Ju-On: O Grito’

O terror japonês 'Village of Eight Gravestones' (A Vila...
Janda Montenegro
Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.