Em 2023, o mundo recebeu a estreia de um dos filmes de cultura pop mais bacanas dos últimos tempos – a versão em longa-metragem e animada do famoso jogo de videogame Super Mario Bros. O público foi ao delírio, a bilheteria foi um sucesso e, obviamente, começou a demanda por uma continuação. E hoje, depois de quase três anos de espera, chega aos cinemas brasileiros mais uma aventura dos encanadores mais famosos do mundo pop: ‘Super Mario Galaxy: O Filme’.

Rosalina (na voz original de Brie Larson, a ‘Capitã Marvel’) é uma linda princesa de uma galáxia distante onde todas as noites conta historinha para seus filhos – as estrelinhas –, até que um dia é sequestrada pelo vingativo Bowser Jr. (Benny Safdie), que busca, com isso, usar os poderes da princesa para criar uma arma letal e, assim, resgatar seu pai, Bowser (Jack Black, de ‘Jumanji’), que fora feito prisioneiro no castelo da princesa Peach (Anya Taylor-Joy, de ‘Duna: Parte 2’). É nesse momento que Peach recebe um pedido para resgatar Rosalina, e ela deixa o castelo aos cuidados dos irmãos Luigi (Charlie Day) e Mario (Chris Pratt, de ‘Guardiões da Galáxia‘), mas, obviamente, tudo sai do controle e, assim, os irmãos terão que sair numa aventura pelas galáxias para ajudar a ambas as princesas.
Com quase uma hora e quarenta de duração, ‘Super Mario Galaxy: O Filme’ tem um visual incrível e, neste quesito, não decepciona. Ao contrário, supera o que fora apresentado no primeiro longa, mesclando muito mais as técnicas em 3D e a estética do videogame em 2D, o tempo todo levando o espectador de volta ao universo do game, lembrando-nos de onde todos esses personagens vieram. Esse jogo é muito legal, pois faz com que a gente reconheça cenários, sons, elementos e até mesmo estratégias para jogar. É como se a gente estivesse mesmo jogando aquela história.

Com tudo isso funcionando bem, o trabalho dos diretores Aaron Horvath e Michael Jelenic foi basicamente juntar esses elementos e fazerem eles funcionarem com o roteiro. Mais que isso, a dupla entregou um bom trabalho na condução da história, carregando no ritmo nas cenas de ação e de aventura em cenários acelerados e hipercoloridos – elementos esses que ajudam no engajamento da atenção principalmente do público infantil. Dá vontade de viver nesses cenários (principalmente se você ver um filme em uma tela de qualidade).
Se por um lado a parte técnica funciona bem, é justamente o roteiro, a história, que ficou sem sabor. O roteiro de Matthew Fogel (que escreveu ‘Uma Aventura Lego 2’ e ‘Minions 2: A Origem de Gru’) parte da história da princesa Rosalina e, quando a gente percebe, tem um monte de história paralela correndo por fora. É Mario e Luigi correndo pra lá e pra cá tentando chegar na galáxia, é a Peach tentando carona na galáxia como se estivesse num episódio de ‘O Mandaloriano’, é o bebê-vilão Bowser Jr se autoexplicando, é o pai, Bowser, vivendo na sofrência, e é também um monte de personagem novo que chega na história e que, querendo ou não, acabou até mesmo ofuscando outros que fizeram sucesso no primeiro filme. Com tanta trama em paralelo, ficou uma sensação de várias histórias escritas em separado que, de alguma forma, tentaram costurar, mas o fizeram de maneira frágil e sem dosar com a experiência do espectador, que ora tem sua atenção retida, ora pode se sentir entediado com determinados núcleos.

Mesmo com os protagonistas ofuscados, ‘Super Mario Galaxy: O Filme’ se garante com os novos personagens, que são alguns dos queridinhos do público, e muitos easter eggs e referências em sua trama. Sendo o longa uma coprodução da Universal, uma das mais perceptíveis é uns personagens que lembram bastante os Minions – mas também há referências a outros sucessos como ‘Zootopia’ e ‘Diário de um Banana’, para citar alguns.
Ainda que com uma história morna, ‘Super Mario Galaxy: O Filme’ entrega um belo visual somado a uma jogabilidade contagiante num enredo que nos transporta às nossas próprias experiências no jogo. E, a ver pelas duas cenas pós-créditos, vem aí o filme 3!


