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Crítica | Tempo de Caça – O ‘Exterminador do Futuro’ Sul-Coreano


Se você está buscando novidades na Netflix que sejam boas o suficiente para prender sua atenção e que tenham qualidade de cinema, então selecione para assistir ‘Tempo de Caça’, uma das estreias da semana da plataforma de streaming.

A trama é simples e envolvente. Dois amigos, Ki-hoon (Woo-sik Choi) e Sang Soo (Jung-min Park), vão buscar Jun-seok (Lee Jehoon), que está saindo da prisão após três anos de reclusão. Só que a Coreia do Sul que Jun-seok encontra está completamente diferente: o won, direinho nacional, está super desvalorizado; é difícil conseguir dólares em espécime; há muita pobreza e protestos por todos os lados. Inconformado, Jun-seok decide que precisa mudar de vida e convence os amigos a participarem de um assalto. Só que eles acabam mexendo com o grupo errado, e, por isso, passam a ser caçados por Han (Hae-soo Park), um matador de aluguel bem estilo ‘O Exterminador do Futuro’.



Olhando assim parece até que é um filme simplório de ação, desses que passa no domingo à noite, mas não é. O primeiro ato transcorre com uma Coreia do Sul meio distópica, meio pós-apocalíptica, com cenas que se assemelham bastante a filmes como ‘Baby Driver: Em Ritmo de Fuga’ e ‘Onze Homens e um Segredo’. Então vem a ação misturada com thriller, e é aí que o filme se transforma, ganhando um ritmo intenso que consegue fazer o espectador ficar ansioso e nervoso com as cenas de perseguição. É sério. Do nada você é transportado para um ambiente suuuper sombrio e obscuro, onde mal é possível enxergar as coisas, que se assemelha bastante aos jogos de videogame nos quais você se junta com seu esquadrão e tenta ir ganhando território pelas ruas abandonadas.

É isso que torna o roteiro de Sung-hyun Yoon tão surpreendente: quando menos se espera, você é transportado de um drama de ação comum para um instigante thriller estilo gato e rato no qual ninguém é bonzinho, mas que você meio que torce para que as coisas deem certo. Sung-hyun Yoon também dirige o longa, e congrega com muito domínio todas as etapas que transformaram seu ‘Tempo de Caça’ em um bom produto de entretenimento: a fotografia, que por hora busca ângulos surpreendentes para enquadrar os atores; as cores e a iluminação, que marcam muito bem a transição entre um ato e outro, e que ajudam a construir a atmosfera ora distópica, ora de suspense; a montagem, que acelera o ritmo da perseguição ou aumenta a carga dramática, colocando a narrativa em off para agilizar o enredo, etc.

Tempo de Caça’ é um filme que promete ação, mas entrega muito mais ao espectador. Tendo sido exibido pela primeira vez no Festival de Berlim desse ano (e se tornado o primeiro filme sul-coreano a ser exibido na seção especial do festival), ‘Tempo de Caça’ é um ótimo filme para os fãs do gênero, e, se tudo der certo, poderá ganhar continuações.

Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.
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