Não é exagero dizer que ‘The Boys in the Band’, novíssimo lançamento da Netflix, pode acabar recebendo uma ou mais indicação ao Oscar, caso a gigante do streaming o inscreva na competição. O longa, de pouco mais de duas horas de duração, possui todos os elementos que comumente agrada ao júri da Academia: bastante drama, diálogos elaborados, atuações que se destacam e um tema importantíssimo como fio condutor da trama.

Michael (Jim Parsons) é um rapaz que está prestes a receber amigos na sua casa para uma festa de aniversário surpresa para Harold (Zachary Quinto) que, pra variar, está atrasado. O primeiro a chegar é Donald (Matt Bomer), com quem claramente Michael tem uma boa relação.

Às vésperas dos convidados chegarem, o anfitrião recebe o inesperado telefonema de Alan (Brian Hutchison), um amigo da época da faculdade que pede para visitá-lo com urgência pois sente-se angustiado. Está formada aí a sinuca de bico: Michael precisa ser solícito e receber Alan em sua casa antes que seus amigos cheguem para festa. O grande problema é que Alan é hetero super conservador, e todos os convidados são gays, incluindo o anfitrião.

Baseado na peça de teatro homônimo de Mart Crowley e no longa anteriormente adaptado em 1970, ‘The Boys in the Band’ é um filme que agarra o espectador desde literalmente o início. A abertura do longa tem edição e montagem deslumbrantes, intercalando a vida desses personagens e entrelaçando-as como se fosse um ato contínuo. O ritmo dessa abertura é tão ágil, que a gente se sente imediatamente transposto àquela Nova York febril de 1968.

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Por ter como referência dois sucessos, o grande desafio de Ned Martel era construir um roteiro que conseguisse expor a carga dramática da peça com ares contemporâneos. Ou seja, não bastava apenas fazer uma adaptação literal do que já foi feito, era preciso traspor o importantíssimo argumento daquele final da década de 1960 e botar pra jogo nesse 2020: a intolerância e a homofobia.

Com um tema desses, ‘The Boys in the Band’ propõe escancarar o debate sobre essa questão que, com o passar dos anos, parece ter pouco avançado. Através dos nove personagens – entre risos, choros e muita briga – vamos conhecendo suas histórias: os medos, os desafios enfrentados e o primeiro amor de cada um. Assim, o grande público é convidado a adentrar no universo de oito homens gays e descobrir que esses homens são seres humanos que também amam, se divertem, choram, sofrem. O embate entre este núcleo e o mini-núcleo de Alan, o único heterossexual, é o fio tensionado que parece possuir um ponto de torsão que vai aumentando cada vez mais a pressão, prestes a explodir, gerando angústia imediata no espectador.


Joe Mantello alcança um resultado primoroso em seu ‘The Boys in the Band’, com uma primeira sequência acelerada e festiva, totalmente convidativa, seguida de um longo período de drama com pitadas – por que não? – de thriller até, posto que a imprevisibilidade dos personagens suspende o espectador, que fica sem saber o que pode acontecer. E tudo isso acontece graças a um elenco afinadíssimo, à vontade com seus papeis, extremamente competente em declamar falas longuíssimas e rebuscadas e, ainda que recuperando a verborragia teatral, confere humanidade a esses personagens imperfeitos.

The Boys in the Band’ é um belíssimo filme, que eleva o sarrafo lá em cima para os concorrentes. Não seria surpresa receber uma ou mais indicações ao Oscar 2021. Aos cinéfilos de plantão: ‘The Boys in the Band’ abre a temporada de corrida à estatueta de ouro com um pé na porta e um drink na mão. Corram assistir!

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