Crítica | The Good Fight - terceira temporada consegue ser melhor do que a espetacular segunda

Crítica | The Good Fight - terceira temporada consegue ser melhor do que a espetacular segunda

Nota:


The Good Fight, o spin-off de The Good Wife, criada por Michelle e Robert King (BrainDead), e Phil Alden Robinson (Quebra de Sigilo) trouxe duas temporadas espetaculares da série que tem Diane Lockhart (Christine Baranski) liderando o grupo de protagonistas. Lembro de afirmar no título da crítica da segunda parte que a produção estava mais agressiva do que nunca e, aparentemente, eles devem ter tomado como desafio (brincando sobre tomarem como desafio), mas fato é que esta terceira subiu e muito o nível de agressividade.

Neste ano, a dramaturgia começa alguns meses depois dos acontecimentos do anterior e com algumas repercussões desse período de tempo vivenciado em 2018. Aqui, Diane está cada vez mais obsessiva com a ideia de combater o atual presidente dos EUA e com isso, logo no início, se junta a um grupo de mulheres que se tornam uma espécie de resistência underground. Enquanto isso, Lucca Quinn (Cush Jumbo) precisa lidar com conciliar maternidade e trabalho, além de precisar tomar algumas decisões que podem diminuir o tempo com o filho. Maia Rindell (Rose Leslie) contará com uma reviravolta – como se já não tivesse tido várias – na carreira e na vida.

O roteiro da terceira temporada é um deleite aos olhos até do mais severo dos críticos. É como se existisse a perfeição de escrita seriada, The Good Fight seria uma das produções audiovisuais no topo das paradas. O casal King e Robinson provam que não possuem medo de desafiar o sistema e criticar o momento atual do país original da trama. O telespectador está diante de uma história que só cresce positivamente, se reinventa dentro da sua própria trama e enfia o dedo na ferida sem dó nem piedade.

The Good Fight consegue se superar no quesito script a cada ano que passa e trazer argumentos ainda melhores relacionados ao tema que o rodeia que é a advocacia, assim como, as questões relacionadas aos grupos chamados minorias. A série, criada pro canal de streaming da CBS e transmitida no Brasil pela Amazon Prime Video, transborda uma dramaturgia recheada de diálogos bem elaborados, pensados e escritos. É uma personificação dos defensores dos direitos iguais para todos seja a pessoa de tom de pele diferente, parte do grupo LGBT, mulher, de classe social média ou baixa e por aí vai.


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Para mostrar que criatividade é o que não falta na mesa de roteiristas, a trama conta, nesta terceira temporada, com algumas quebras da quarta parede ao colocar alguns personagens conversando diretamente com a câmera e também com mini curtas animados explicando sobre alguns temas abordados, especialmente quando o assunto é o governo americano. Inclusive, detalhe importante de salientar, um desses curtinhas foi censurado pela CBS por falar sobre como os EUA flexibilizam algumas leis para satisfazer o governo chinês. Detalhe: aparece uma imagem avisando que está censurado pelo canal durante oito segundos.

Em relação aos personagens, Diane está mais determinada do que nunca e protagoniza cenas para guardar na memória de todos que acompanham a trama. Sua amizade com Liz Reddick (Audra McDonald) é um dos pontos altos deste ano e as duas formam uma dupla singular, tanto nos casos que precisam defender quanto na hora de atuarem em favor do “clube do livro”. Por falar na personagem de McDonald, a forma como ela lida com uma dada situação é de aplaudir de pé a atuação.

Lucca, como sempre, está impecável. Cush Jumbo é uma atriz espetacular e perfeita para o papel da mesma. É impossível não se apaixonar ainda mais pela advogada e a forma como ela lida com situações adversas em sua vida durante essa temporada. É preciso destacar e falar sobre Maia Rindell. A afilhada de Diane cresceu e muito nesses dois anos, e a escolha dos roteiristas por mostrar uma nova face da mesma, que é despertada pela presença de Roland Blum (Michael Sheen) – a pior espécie que pode existir de um republicano –, cria uma nova perspectiva sobre ela no espectador e abre a possibilidade de se ver uma nova Maia no quarto ano da série.

É evidente o crescimento e amadurecimento de todo o elenco que compõe a dramaturgia de The Good Fight: Kurt McVeigh (Gary Cole), Julius Cain (Michael Boatman), Jay Dipersia (Nyambi Nyambi), Adrian Boseman (Delroy Lindo) e até a própria companhia Reddick, Boseman, Lockhart e Associados, que acaba se tornando também um personagem. Contudo, existe um destaque em particular que leva o nome de Marissa Gold (Sarah Steele). A jovem que começou como secretária de Diane e no segundo ano conseguiu se tornar detetive da empresa, demonstra que veio para ficar e ganhar o público. Marissa tem uns altos incríveis nesta etapa da série.

Em quesitos técnicos, a trama não poderia estar no seu melhor momento. A trilha sonora segue sendo coerente com o mostrado e as canções originais dos curtinhas são espetaculares – além de serem super chiclete. A direção cumpre o trabalho que lhe foi designado e mantém o nível de qualidade do roteiro ao transformá-lo em algo que o espectador consegue ver. A arte também tem seu mérito e faz uma ótima performance.

The Good Fight está melhor do que nunca e provando que é possível uma série só crescer mais a cada ano que se passa. De fato a criação dos King e Robinson vai se classificando como uma das melhores da última década.


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