Crítica | The Good Place - Um presente aos apreciadores do humor ácido

Crítica | The Good Place - Um presente aos apreciadores do humor ácido

Nota:

O canal de TV norte-americano NBC, onde se encontra um dos maiores programas de comédia no ar até hoje, o Saturday Night Live, segue produzindo comédias marcantes com o passar de cada década. Com um estilo bem familiar de humor incorreto e/ou ácido, eles são os responsáveis por levar ao ar Seinfeld, Friends, Will & Grace, 30 Rock, Parks and Recreation, entre outras. É evidente, portanto, que o canal criado por David Sarnoff em 1926, é referência quando o assunto é fazer o público rir.

6 Motivos para assistir The Good Place

Com isso, em setembro de 2016, criada por Michael Schur (Parks and Recreation), chegou às telas a comédia que traz Kristen Bell, a eterna Veronica Mars, como protagonista, The Good Place. Distribuída no Brasil pela Netflix, ela conta a história de Eleanor Shellstrop, uma mulher que ao morrer se vê no “lugar bom” devido as suas boas ações, contudo, ela logo percebe que algum erro foi cometido, pois aquelas memórias não são as suas.

A série de Schur tem um início tímido, não provocando tanto assim a atenção do público nos seus dois primeiros episódios, contudo, ao continuar a maratona, logo o telespectador se vê interessado e cada vez mais próximo aos personagens que fazem parte daquele universo. Ademais, os questionamentos colocados em forma de comédia são muito semelhantes aos que as pessoas no mundo real perguntam a si mesmas, o que só chama ainda mais atenção de quem assiste.




O roteiro é espetacular depois que as turbinas são ligadas. É bem escrito, coeso, recheado de referências, com plots twist inesperados (daqueles que são mais vistos em séries dramáticas ou de ficção científica -  que faz o queixo pender) e uma história que mantém a qualidade durante a primeira e a segunda temporada. O humor da série, entretanto, não é do tipo que agrada qualquer um, é preciso gostar deste nicho para aproveitar toda a qualidade que a produção tem a oferecer.

The Good Place também faz com que os espectadores se apaixonem pelos personagens do ciclo principal e até mesmo as participações especiais, como é o caso de Maribeth Monroe como Mindy St. Claire, e Maya Rudolph como Judge Gen. Além disso, é fácil se aproximar dos dilemas vividos por cada um. Bell, por exemplo, faz um excelente trabalho vivendo a protagonista Eleanor, além de provocar risadas do público por todo o momento devido à personalidade única da mesma. D’Arcy Carden dá vida a Janet, por que/quem é impossível não desejar uma no dia a dia, além de participar das cenas mais divertidas.

Ted Danson é Michael e assim como Eleanor é um dos personagens com mais camadas e reviravoltas dentro da narrativa. Jameela Jamil interpreta Tahani Al-Jamil e prepare-se para ter uma crush eterna (assim como Shellstrop) na humanitária. Manny Jacinto faz Jason Mendoza e apesar de as vezes o mesmo deixar qualquer um irritado, é uma das melhores atuações da série ao considerar o tipo de papel que ele precisa realizar. Por fim, tem William Jackson Harper como Chidi Anagonye que, apesar de não ser o mais adorável de todos, também tem sua importância para a trama.

A química de todos esses personagens é o que passa a sensação de veracidade da relação que constroem ao longo das duas temporadas, conseguindo tornar a imersão naquele universo ainda mais real. Inclusive, por falar em aspectos realísticos, no quesito técnico, a direção de arte faz um trabalho espetacular ao criar o “lugar bom”, tornando-o agradável aos olhos, trabalhando com cores vibrantes e uma decoração peculiar em alguns pontos específicos. A direção também consegue estar de acordo com o exigido quando o assunto são comédias.

No geral, The Good Place é uma comédia que merece toda a sua atenção caso você seja um apreciador do humor ácido, afinal, o que não falta é qualidade de narrativa e piadas para marcar toda uma geração e serem referenciadas sempre que possível.





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