Crítica | Tribes of Europa – Série teen da Netflix mistura distopia e fatos históricos em mundo pós-apocalíptico



Por que não fazer uma série que misture todos os elementos pop e geek cultuados pela geração Y? Por exemplo, dá pra pegar a vibe de vários filmes hypados, situar a história num futuro distante (mas não tão longe assim), jogar uma roupagem modernosa e colocar um título em inglês, mesmo que a produção seja alemã. Assim é ‘Tribes of Europa’, a nova série-sensação jovem da Netflix.

O ano é 2074. Décadas antes o mundo foi dizimado pelo dezembro sombrio, que acabou com a maior parte da população da Terra. Os seres humanos que sobraram se juntaram em tribos, especialmente na antiga Europa. Assim conhecemos Liv (Henriette Confurius), Kiano (Emilio Sakraya) e Elja (David Ali Rashed), três irmãos que fazem parte da tribo dos Orígenes, fundada vinte anos antes pela mãe de Liv e Elja. Certo dia, os três presenciam a queda de uma aeronave atlantis e Elja encontra o piloto, que lhe entrega um cubo mágico para que termine sua missão de levá-lo até a Arca. O que eles não sabiam era que a tribo do corvo também estava de olho nesse cubo, e eles acabam invadindo e destruindo os Orígenes, mudando o curso da história para sempre.

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Já nos primeiros minutos de ‘Tribes of Europa’ percebemos que o plot da série é bem fraquinho – e pretensioso. Com o intuito de ambientar o enredo numa atmosfera épica, o roteiro de Jana Burbach, Benjamin Seiler e Philip Koch divide o trio protagonista em três jornadas individuais – o que acaba arrastando ainda mais o ritmo lento com que a trama toda avança. Liv acaba indo parar na tribo dos escarlates, onde conhece um gatinho e quer bolar um plano para resgatar sua família, escravizada pelo povo corvo. Só que sua história foca só no romance e nas tentativas de colocar seu plano em ação, uma recuperação mal sucedida de ‘Jogos Vorazes’; Elja é um mala, quase tão chato quanto o Frodo de ‘O Senhor dos Anéis’, e David Ali Rashed sofre para dar qualquer emoção a seu personagem, cuja missão é levar o anel (digo, o cubo) para um lugar perigoso com a ajuda de Moses (Oliver Masucci, de ‘Dark‘), o melhor personagem da série, ainda que com trejeitos Jack Sparrow; Kiano é o que tem a trajetória melhorzinha, afinal, vai parar no covil dos vilões, que é uma verdadeira repaginada dos campos de concentração com aspecto de boate BDSM.

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Bem intencionada, a história criada e dirigida por Philip Koch é ambiciosa em tentar recuperar fatos históricos (como as Guerras Mundiais) e dar-lhes uma roupagem pop MTV para falar a linguagem jovem. Porém, sob camadas e camadas de efeitos especiais e da super produção alemã, temos uma história rasa, que suga nas referências modernosas recente como ‘Maze Runner’ ou ‘Mad Max’, mastiga tudo isso que andamos vendo e tenta recriar o sumo em formato serial de nome ‘Tribes of Europa’. Ao menos os vilões são bizarros e a trilha sonora é maneira; de resto, deve só agradar a juventude que sente falta das franquias supra mencionadas.

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Janda Montenegro
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.

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Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.