Crítica | True Detective - 2ª Temporada – O Submundo de uma Califórnia Que o Turista Não Vê

Crítica | True Detective - 2ª Temporada – O Submundo de uma Califórnia Que o Turista Não Vê

Nota:


Ano: 2015

Temporada: 02

Episódios: 08

Minutagem: 58 minutos (média por episódio)

 


Aproveite para assistir:


Um homem poderoso da prefeitura, Ben Caspere, é dado como desaparecido, até ser encontrado morto à beira da estrada num terreno isolado na Califórnia. Esse é o núcleo da nova temporada de ‘True Detective’, mas o que a move é, na verdade, as histórias paralelas de diferentes oficiais da polícia que, por razões distintas, acabam se envolvendo com o crime em questão, como o novinho Paul Woodrugh (Taylor Kitsch), do Departamento de Patrulha Rodoviária, que foi convidado a se afastar por ter notificado uma famosa atriz que violara a condicional e, ao sair para espairecer, acaba, casualmente, encontrando o corpo de Ben Caspere.

Em paralelo, conhecemos Raymond “Ray” Velcoro (Colin Farrell, ótimo no papel de um policial durão, porém frágil com relação à família), que trava uma batalha pessoal para conseguir a guarda do filho, que sofre bullying na escola e não tem amigos. Ray é da polícia do condado de Vinci, uma cidade fictícia criada por Nic Pizzolatto para essa segunda temporada, provavelmente inspirada na cidade real de Vernon, ao sul do centro de Los Angeles. O passado não resolvido de Ray volta à superfície quando o corrupto Francis “Frank” Semyon (Vince Vaughn, surpreendente em um papel sério) entrega a Ray a pista que faltava para que sua justiça seja feita, ao mesmo tempo em que ele busca legitimar seus negócios escusos usando a própria polícia para se beneficiar.

Conjuntamente, a Sargento do Departamento de Investigação Criminal Antigone “Ani” Bezzerides (Rachel McAdams, firme em sua atuação) entra na história, mostrando a vida das mulheres que têm autoridade e, por isso, têm dificuldade de se relacionar amorosamente. Assim, as tramas particulares desses quatro personagens vão se interligando e se afastando, construindo a investigação do figurão que foi encontrado morto. Por conta disso, a história geral dessa segunda temporada de ‘True Detective’ fica bastante confusa, relegando ao espectador a costura das respostas básicas de qualquer investigação – Quem? Quando? Onde? Por quê? – para somente no fim esclarecer os pontos. Até lá, o espectador fica se sentindo perdido por um bom tempo.

Dividido novamente em oito episódios, a segunda temporada da história criada e escrita por Nic Pizzolatto tem uma queda de ritmo, se comparada à primeira temporada, ainda que dessa vez ela seja também produzida pela dupla protagonista da primeira temporada, Matthew McConaughey e Woody Harrelson. E, novamente, os episódios precisam ser assistidos na sequência, correndo o risco de não ser possível entender a história – que se fecha no oitavo capítulo – caso isso não seja respeitado.

A direção de Justin Lin (da franquia ‘Velozes e Furiosos’) explora bem o contraste dos espaços abertos (mostrando uma Califórnia menos glamourosa e mais desértica) em oposição aos espaços fechados (sombrios, claustrofóbicos, escuros). A música é de responsabilidade de T Bone Burnett, assemelhando o tema de abertura às batidas de um coração que se mesclam às silhuetas dos policiais.

A segunda temporada de ‘True Detective’ explora a corrupção e os desvios de recursos na administração das cidades, porém fica abaixo da tensão elaborada na primeira temporada. Ainda assim, ela sustenta um bom arco dramático, encabeçada por um elenco estelar e competente, que saíram de suas zonas de conforto ao encarar papéis tão distintos do que vinham fazendo em suas carreiras. Vale assistir.


COMENTÁRIOS