Crítica | True Detective – 1ª Temporada – Crime e Misticismo na Polícia de Louisiana

Temporada: 01

Ano: 2014

Episódios: 08

Minutagem: 60 minutos (média por episódio)

 

Uma história não linear, contada da frente pra trás, de acordo com o desenrolar das situações, é montada em oito episódios que precisam necessariamente ser visto em ordem cronológica, correndo o risco de não ser compreendida caso isso não seja respeitado. Tudo porque a história é centrada no Departamento de Polícia de Louisiana, onde dois detetives investigam o assassinato covarde da prostituta Dora Lange, cujo corpo é encontrado em uma posição de reza, com uma galhada de veado na cabeça e cercado de objetos que se assemelham à cultura cajum (bastante popular na região sul do Mississipi), o que poderia evidenciar alguma espécie de ritual ou crime religioso. A partir daí, a história vai sendo desvendada, com lapsos confusos que depois se encaixam como peças de um quebra-cabeças bastante elaborado.

Encabeçando a investigação, Rustin “Rast” Chole (Matthew McConaughhey, em mais uma atuação excelente no seu currículo) e Martin “Marty” Hart (Woody Harrelson, que parece ter nascido para esses papeis sombrios de trama no interior do país e tem muita cara de policial), dois policiais que investigaram o caso, em 1995, mas que, dezessete anos depois, precisam revisitar a história por conta de outros crimes não resolvidos. Só que, quase duas décadas depois, a vida pessoal e os passados de cada um começam a cobrar o preço da negligência que ambos tiveram por conta do trabalho exigente.

De uma forma geral, a trama da primeira temporada de ‘True Detective’ não é exatamente original, porém o seu diferencial reside na forma como a história é contada. Desde a primeira cena, em que vemos uma queimada no matagal e em primeiro plano temos o longo e tristíssimo rio Mississipi, com uma paleta de cores escuras, do azul para o preto, contrastando com o amarelo alaranjado do fogo, para, duas cenas depois, sermos jogados em plena manhã seca e calorosa do delta, e observamos os dois investigadores se dirigirem para a cena do crime; em que a textura da plantação que definha sem água e a umidade sufocante do calor parecem saltar da tela, causando falta de ar no espectador. Ou ainda, a forma como a história foi recortada para ir sendo esclarecida pelos próprios personagens, a medida em que eles mesmos descobrem as novas pistas.

Tudo isso é corroborado por um clima noir que conduz a trama num misto de suspense e misticismo, que é exatamente a ambientação que se tem de um Mississipi desconhecido e isolado, palco de muitas lutas e injustiças. Como fio condutor, a música tema ‘Far from any road’, cantada por The Handsome Family, que dá aquela sensação de marasmo mas que ao mesmo tempo parece que alguma coisa terrível está prestes a acontecer. A trilha sonora é toda nesse estilo, e ajuda a criar uma atmosfera ainda mais imersiva na série.

Escrita, criada e produzida por Nic Pizzolatto, dirigida por Cary Joji Fukunaga e produzida também pelo próprio Matthew McConaughhey (que ganhou o papel pelo seu excelente trabalho em ‘O Poder e a Lei’, cuja atmosfera se aproxima da série), a escolha em mudar a locação da filmagem do Arkansas (onde originalmente seria filmado) para Louisiana (devido aos incentivos fiscais, que, após a destruição do furacão Katrina, passou a estimular a filmagem no estado para facilitar a injeção de dinheiro) foi acertada, pois o estado, em si, possui uma aura mística poderosa, com a qual ninguém tem coragem de mexer – e é exatamente este o mote dessa primeira temporada.

Exibida originalmente em 2014 pela HBO, a primeira temporada de ‘True Detective’ é um prato cheio para os fãs do suspense noir e histórias de crime.

Notícias

As MELHORES Animações do Ano (Até Agora)

Estamos nos aproximando do fim da primeira metade de...

‘Toy Story 5’ estreia na LIDERANÇA das bilheterias nacionais

'Toy Story 5' estreou nesta quinta-feira (18) nos cinemas...

George Lucas fará parte do elenco de VOZES de ‘Minions & Monstros’

O conhecido realizador George Lucas, responsável pela criação da icônica...

Steven Spielberg revela que Harrison Ford QUASE interpretou Alan Grant em ‘Jurassic Park’

O renomado cineasta Steven Spielberg relembrou recentemente os bastidores...
Janda Montenegro
Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.