segunda-feira, fevereiro 9, 2026

Crítica | Um Cabra Bom de Bola – Com Dublagem Perfeita, Nova Animação da Sony Surpreende

Já há alguns anos a Sony Pictures tem se dedicado a fazer filmes de animação com uma técnica que trazia um visual inovador misturando o 3D com uma fluidez que se assemelhava à estrutura das histórias em quadrinho. Essa combinação rendeu, em 2019, o Oscar de Melhor Animação para o longa ‘Homem-Aranha no Aranhaverso’, e, alguns anos depois, também rendeu uma indicação à mesma premiação com a sequência desse filme. Certa de que a técnica é seu grande forte, a Sony Pictures Animations aposta agora numa nova história, que vai surpreender vocês: o filme ‘Um Cabra Bom de Bola’, que chega essa semana aos cinemas brasileiros.

Zeca Brito (dublado por Rafael Sadovski, e no original por Caleb McLaughlin, de ‘Stranger Things’) é um cabrito que, desde pequeno, sonha em se tornar um jogador de berroball – um esporte misto que lembra o basquete, mas com técnicas mais intensas de jogo. Morador do Salgueiro do Sul desde criança, ele e todos os moradores sabem da importância do time para a comunidade, e, quando Jaque Fonseca (na voz de Priscila Amorim) entra no time, tudo parece se encaminhar para finalmente levarem o campeonato. Porém, anos se passam, e eles nunca levam o troféu. Mesmo assim, Zeca nunca deixou de sonhar grande, e, um dia, tem certeza, irá entrar para o time de berroball do Salgueiro.

Para além da técnica de animação supracitada, o principal elemento de destaque em ‘Um Cabra Bom de Bola’ é a adaptação da terminologia à cultura brasileira. Sim, porque não basta traduzir nem dublar: tem que tornar aquilo algo nosso. É assim que a pantera negra Jett Fillmore se torna no Brasil, Jaque Fonseca – porque sim. Ou que Will Harris  se torna Zeca Brito. Ou como o próprio esporte, o roarball, se torna berroball (afinal, os animais berram). Ou como a girafa se torna apenas Rafa (gi-Rafa). Sem contar os diversos trocadilhozinhos ao longo do filme que arrancam risadas inesperadamente do espectador.



Misturando o entretenimento do esporte com o corre de um protagonista desamparado economicamente, o roteiro de Aaron Buchsbaum, Teddy Riley e Chris Tougas dialoga diretamente com os anseios de uma juventude carente de bons ídolos e sedenta por fazer parte do sonho. Também a direção de Tyree Dillihay e Adam Rosette balanceia bem a dinâmica do avançar da trama com o desenvolvimento pessoal dos personagens principais. Por fim, a produção de Stephen Curry, astro da NBA (a liga estadunidense de basquete) ajuda a engrandecer a produção e chamar a atenção do público.

Um dos grandes acertos é a dublagem de Rafael Sadovski, acima de tudo por imprimir a identidade nordestina ao protagonismo de uma animação, entregando, assim, pertencimento e semelhança à uma garotada sedenta por se ver nas telas. E o filme traz boas mensagens para a meninada, como “sonhe grande” (slogan do longa), “tamanho não importa quando se tem garra, talento e uma torcida que te abraça”, “sozinho não se consegue as coisas, mas, com a ajuda dos amigos, tudo é possível”, “desconecte-se das redes sociais para focar na vida”, entre outras. Cheio de valores bons, ‘Um Cabra Bom de Bola’ é um ótimo filme tanto para a criançada quanto para os adultos.

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Janda Montenegro
Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.