Crítica | Um Inverno em Nova York – Emocionante drama da Netflix ensina sobre o perdão e o poder do acolhimento



Nenhum recomeço é fácil. Deixar algo ou alguém – ou até mesmo uma vida inteira – para trás é extremamente difícil, e fica mais ainda complicado se você o fizer sozinho, sem o apoio de pessoas que se disponham a lhe ajudar. Esse mote emocionante é o que move o filme ‘Um Inverno em Nova York’, longa que anda aquecendo os corações dos assinantes da Netflix.

- Ads -

Clara (Zoe Kazan) deu um basta em sua vida. Depois de sofrer repetidas agressões físicas do marido, o policial Richard (Esben Smed), e depois que ele passou a agredir seus filhos Jude (Finlay Wojtak-Hissong) e Anthony (Jack Fulton), ela decidiu fugir de casa com os filhos e ir para Nova York. Lá, os três passam por dificuldades, sem dinheiro ou um lugar para ficar, mas tudo muda quando encontram a gentileza de estranhos na rua, como o gerente de restaurante Marc (Tahar Rahim), a médica Alice (Andrea Riseborough), o rapaz especial Jeff (Caleb Landry Jones) e o advogado John (Jay Baruchel).

Escrito e dirigido por Lone Scherfig, ‘Um Inverno em Nova York’ convida o espectador a mergulhar no drama dessa família, comum a tantas outras, para refletir sobre o nosso papel social enquanto moradores de uma cidade na qual podemos e devemos fazer mais pelo próximo. Assim, o filme procura mostrar dois pontos fundamentais que o argumento entende como primordiais para que histórias como esta tenham finais felizes: o perdão e o acolhimento. Esses dois pontos são trabalhados de maneira bem didática no longa, seja pelo “núcleo do perdão” – que literalmente é como as reuniões do AA, onde pessoas se encontram porque têm algum sentimento de culpa e precisam lidar com isso até aprenderem a perdoar a si mesmos –, seja pela interação entre os personagens, que vai se entrelaçando de modo a costurar uma rede de solidariedade para a família protagonista, evidenciando, assim, que ter uma rede de suporte e de acolhimento é o diferencial para que pessoas vítimas de violência consigam perlaborar suas dores e seguir adiante.

- Ads -

Com um título em português que dá a entender que é um romance (mas não é), a produção acaba tentando abranger muitos núcleos, e o resultado é que as relações ficam meio superficiais uma vez que são aceleradas para acontecer dentro das quase duas horas de longa. O primeiro arco se estende em demasia com os percalços que a família encontra em Nova York, de modo que a interação dela com os outros personagens acaba não sendo aprofundada – se o tivesse feito, a carga dramática do longa teria sido muito maior. Do jeito que ficou, o envolvimento dos personagens com a situação ficou bastante gratuito, beirando a inverossimilhança, considerando que estamos falando de indivíduos cosmopolitas que vivem numa das cidades mais caras do mundo.

Um Inverno em Nova York’ tem seu valor, que é o de aquecer o coração dos espectadores com um sentimento bom de que podemos e devemos ajudar ao próximo. Um filme inspirador, nesses tempos difíceis em que é urgente que estendamos a mão aos desconhecidos.

author avatar
Janda Montenegro
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.

Inscrever-se

Notícias

‘Crystal Lake’: QUANDO estreia a série baseada na franquia ‘Sexta-Feira’?

'Crystal Lake', que servirá de pré-sequência ao clássico 'Sexta-Feira...

Ótimo SUSPENSE sobre ‘Golpistas do Call Center’ estreia fazendo sucesso na Netflix

'Desligue!', um empolgante longa-metragem sobre ‘Golpistas do Call Center’,...
Assista também:


Janda Montenegro
Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.