Lego mostra que filmes baseados em brinquedos funcionam

A ideia de fazer um longa metragem animado dos brinquedos de encaixe Lego era tão louca que só poderia ter dado certo. Criado pelo dinamarquês Ole Kirk Christiansen ainda na década de 1950, o conceito das pecinhas encaixáveis, que podem se transformar em qualquer coisa que a imaginação da criançada permitir, atingiu o auge de popularidade na década de 1980 e fez parte da infância e criação de diversas gerações.

Pode-se dizer também que a popularidade do Lego foi reinventada agora, através de videogames, animações para a TV e a permissão de criar em cima de marcas registradas como Star Wars, o universo DC e diversos outros ícones da cultura pop. Pegando este gancho, a empresa apresenta agora seu projeto mais ambicioso: uma produção cinematográfica grandiosa e em 3D, com vozes de diversas personalidades famosas e uma grande campanha de marketing em cima.

Lego 2

E o melhor, um trailer que captura até os mais descrentes (como o que vos fala). Uma Aventura Lego apresenta a vida na Legolândia, uma sociedade robótica na qual os cidadãos são manipulados de forma nada sutil sobre o que ouvir, ver, gostar e pensar. O grande manipulador é o presidente Negócios (voz de Will Ferrell no original), um inescrupuloso governante que deseja manter uma sociedade de pensamentos sincrônicos.

Neste mundo vive o protagonista, Emmet (voz de Chris Pratt no original). Ele é um sujeito mais ordinário impossível, fato que o torna extremamente ingênuo ao que acontece ao redor. Quando conhece Mega Estilo (Wyldstyle no original), dublada por Elizabeth Banks, um novo mundo se abre para ele. O sujeito descobre que o local aonde vive é apenas uma parte de um universo muito maior, isolado pelo regente maligno.

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Lego 3

Aí ganhamos a piada sobre o conjunto de brinquedos Lego, cada um representando um cenário diferente, como o velho oeste, o espaço, o mar, e por aí vai. Esta é apenas uma das brincadeiras embutidas na obra, que servem muito mais para distrair os pais do que as crianças em si. Uma Aventura Lego é mesmo uma máquina de piadas por minuto, tanto visualmente quanto em seu texto. O roteiro escrito pelos diretores Phil Lord eChristopher Miller (de Anjos da Lei) soa com uma versão comportada, mas igualmente cômica, de South Park.

A loucura impera e não existem barreiras para se quebrar a quarta parede de diferentes formas e possibilidades. Com a opção de utilizar personagens da DC Comics, Batman é um personagem de destaque na trama. O fato resulta em algumas das melhores piadas do longa, e apresenta um Batman como nunca visto antes no cinema. Além do Homem Morcego, diversos outros personagens da cultura pop são postos à prova e alvo de gagsnesta comédia animada.

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No desfecho a obra apresenta a possibilidade mais inusitada e criativa. Justamente quando pensamos que todos os limites já foram explorados. É uma surpresa que quase serve despoiler se mencionada. Fato quase inimaginável para uma animação. Mas Uma Aventura Lego é bom nesse nível, de apresentar elementos criativos e inusitados dentro de uma animação, que caso sejam revelados anteriormente podem quebrar o impacto da magia.

Extremamente satisfatório, o filme foi confeccionado com cuidado e muita dedicação, para empurrar além dos limites e realmente quebrar barreiras. O esforço de seus criadores é reconhecido, mesmo dentro de uma indústria na qual pensamos já ter visto de tudo dentro de seus diferentes gêneros cinematográficos. Palmas para eles.

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